EDUCAÇÃO, DIREITOS E CIDADANIA – PARTE 1
Mais um ano do século
XXI e a educação continua, assim como no século passado, como uma das promessas mais consolidadas para a “evolução”
do ser humano e para tão sonhada mobilidade social. Nestes casos, seja numa ótica
realista ou otimista vale lembrar o mestre Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a
sociedade muda.”
A premissa,
tendo esta como verdadeira, de educação como lastro para um projeto de uma
sociedade melhor, mais justa e igualitária passa por uma ressignificação da
cultura escolar e da ação educativa, no entendimento de uma escola democrática, que alie os direitos
humanos as diferentes dimensões programáticas do currículo escolar. No entanto,
em primeiro lugar é necessário compreender que diferente do que é anunciado a
escola não serve para nivelar as desigualdades e menos ainda gerar oportunidades similares para os indivíduos, aliás, muito pelo contrário. A escola, pública
principalmente, reproduz com notória eficiência as discrepâncias, preconceitos,
exclusões/opressões, entraves estruturais e contradições da sociedade. Demonstrando
inclusive as limitações do Estado como impulsionador do desenvolvimento
social, ou ainda indicando sua função como agente limitante.
Se de um lado
temos os mecanismos democráticos fundados no dito Estado Democrático de Direito
Brasileiro, por outro o cerceamento subliminar e mesmo liminar para utilização destes
instrumentos começa pela prática escolar, que em sua esmagadora maioria está
totalmente dissonante da realidade social ou mesmo desligada desta.