sábado, 28 de julho de 2012

Consumismo


“Mãe, eu quero. Você compra?”

Por Rosely Arantes, no Observatório da Imprensa


A frase do título, que muitas vezes culmina em uma discussão, tem feito parte do dia a dia da maioria das famílias brasileiras nos últimos tempos. Discutir os limites das crianças frente ao que é apresentado nas televisões, via publicidade, é algo que muitas vezes está além do alcance das mães, pais e até educadores. Não raro vemos matérias, baseadas em pesquisas ou estudos psicológicos, que desvendam os caminhos para a atuação, para não dizer manipulação e controle, sobre o público infantil numa tentativa de reforçar o apelo de compra.
Contrariando um caminho trilhado, há anos, por diversos países com democracias consolidadas, como a Suécia, Alemanha, Austrália, Espanha (Catalunha), Chile, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Portugal e Reino Unido, o Brasil continua permitindo que a publicidade seja direcionada ao público infantil. Mesmo que a criança e o adolescente sejam considerados públicos prioritários pela Constituição brasileira e reforçado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), eles continuam sendo alvo das propagandas e do merchandising, instrumentos da publicidade,que os utilizamcomo mecanismo de “fidelização” de um futuro consumidor e, ultimamente, definidor de compras da família, numa estratégia de infantilizar o adulto e dar uma ideia de maturidade às crianças, numa troca de responsabilidades vil.
O que é mais estranho é que todas essas ações, que são consideradas violações de direitos, dão-se no espaço público do audiovisual, ou seja, nas rádios e televisões, que são concessões públicas. Para ser mais clara, é de propriedade do Estado o espectro eletromagnético que é temporariamente cedido a determinadas empresas de comunicação. E como parte das regras desta concessão está a atenção ao que já é estabelecida em lei, como informado no parágrafo acima. Como afirma o mestre em Ciência Política, pela Universidade de São Paulo, professor Guilherme Canela, “se o Estado (governo e sociedade) acorda institucionalmente que esse recorte etário merece prioridade absoluta, à mídia não é conferido nenhum salvo-conduto para se escusar de cumprir suas responsabilidades, especialmente porque radiodifusores são operadores de concessões públicas do Estado e da sociedade”.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ritmo, Som & poesia

Primavera nos dentes

(secos & molhados)

Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera.

domingo, 15 de julho de 2012

SUSTENTABILIDADE

   Desafio da contemporaneidade: Sustentabilidade e desenvolvimento no mundo atual é possível? - Parte II.


"Muito provavelmente não haja superação total do desafio que vivemos hoje, mas um equilíbrio que alie produção e sustentabilidade, progresso e desenvolvimento, natureza e o homem em uma relação harmônica será fator decisivo para as gerações humanas futuras."

       

A sustentabilidade passa pela produção, mas somos nós que compramos – ou seja, sustentamos - e utilizamos os produtos derivados deste sistema predatório; somos nós que nos deixamos influenciar por tendências da “moda” e queremos um produto novo mesmo que seja as expensas de mais poluição, mais demanda de matéria-prima (por isso mais exploração do meio ambiente), mais lixo - que agora conta com mais uma categoria, o “lixo tecnológico”-, sem contar mais dívidas. Por outro lado, se hoje falamos das atitudes ecologicamente corretas de consumo, temos de entender que fazer nossa parte é fundamental, mas de maneira alguma isto é o suficiente. Uma revisão de conceitos e soluções que sejam realmente postas em prática, e não transformem simplesmente em  protocolo arquivado; discernir entre o que é útil e/ou agradável; necessário ou supérfluo; modismo/interesse econômico ou iniciativa  sustentável é estritamente importante e inextricável quanta a promoção de uma sociedade sustentável.
          Neste contexto basta ver o exemplo de São Paulo, nesta cidade criou-se um consenso, há pouco tempo, que as sacolas plásticas são as vilãs do meio ambiente, as arqui-inimigas do planeta e que a solução para preservação do meio ambiente, então, é bani-las, extingui-las do nosso cotidiano. Não duvido dos males causados – principalmente ao solo – pelas sacolas que demoram a se decompor, engasgam animais marinhos e etc. O problema é que esta propaganda/campanha, desregrada/direcionada - e levada a serio demais por uma camada de pseudoambientalistas - é basicamente um engodo, uma piada de mau gosto, quando pensada de perto, devido à forma que sua proposta é implementada. Basta olhar os impactos – termo este bastante usado pelos “ambientalistas” – socioeconômicos causados pela medida, se legitimada por Lei como acontece no Estado de São Paulo. Neste estado a medida entrou em vigor no ano passado e trás consigo o critério empresarial/capitalista: quem paga a conta é o mais fraco, ou seja, a única opção do trabalhador é comprar a sacola - e veja bem, ele que muitas vezes mal tem dinheiro para as compras que mantém a família.