CABULOSO!
"Carnaval,
futebol
Não
mata, não engorda
E
não faz mal
Carnaval,
futebol
Se
joga para cima e vira sol..."
Deve
ter sido a estrofe acima a inspiração para a estarrecedora, mas não
surpreendente, declaração nefasta (quase criminosa) do Governador da Bahia (Rui
Costa) sobre a chacina de 13 jovens (06/02/2015), negros e pobres, no Cabula em Salvador, pela Polícia Militar baiana. Abaixo a transcrição do trecho e o link do vídeo completo:
A polícia (…) tem que definir a cada momento
(…), ter a frieza e a calma necessária para tomar a decisão certa. É como um
artilheiro em frente ao gol que tenta decidir, em alguns segundos, como é que
ele vai botar a bola dentro do gol, pra fazer o gol (…)”
Estarrecedora
por se tratar da morte de 13 seres humanos que tiveram o fim de suas vidas
comparadas a “Gols”. O herói, para o governador, é o artilheiro/policial que
“derruba”, numa lógica maniqueísta , “O mal”, que neste caso é materializado no
preto e pobre, devendo assim ser exterminado. Não surpreendente, pelo tratamento já tradicional dado pelo Estado brasileiro (governos estaduais e prefeituras) a população negra e periférica.
Dentro
de nossa estrutura racista e cada vez mais segregacionista destaca-se com
certeza a capital de nosso Estado. Salvador que é contabilizada como a cidade,
fora do continente africano, com maior incidência de negros nunca deixou de
viver um apartheid social/racial. Neste
aspecto é necessário deixar claro que o preconceito no Brasil primeiramente é
na base da cor da pele e agravado pela situação econômica-social.
É
esta a situação e contexto racista, onde 77% dos jovens assassinados no Brasil
são negros. Deve-se ressaltar, ainda, que grande parte das mortes é promovida pela
polícia, que tem refúgio, abrigo e impunidade nos falaciosos “autos de resistência”. É
ainda mais assustador (pelo menos para alguns) os dados que apontam: "que a cada 25
minutos morre um jovem negro pobre no Brasil, vítima da violência. São
aproximadamente dois jovens negros mortos por hora, 48 mortos por dia, 335
mortos por semana, 1344 mortos por mês. Esse é um número igual ou maior do que
muitas guerras pelo mundo.” (continue lendo >>)