Desafio
da contemporaneidade: Sustentabilidade e desenvolvimento no mundo atual é possível?
- Parte I.
Produtos que satisfaçam as
necessidades da população e não sejam apenas um atrativo – quase que
obrigatório, com obsolescência cronometrada -; alie uma produção e
tecnologia que não agrida a natureza e seja socialmente sustentável.
É fácil notar que a cada dia as transformações
no mundo ocorrem com mais velocidade: um suposto progresso é o objetivo, a
tecnologia é o meio utilizado, novos produtos são seu motor e o ser humano seu
condutor. Mas este itinerário passa pela poluição, degradação e destruição de
grande parte do nosso planeta, chegando mesmo a comprometer seus ciclos vitais
e por consequência a vida humana na terra. O homem passa pelo desafio – uma vez
que esta depredação da natureza é inerente ao sistema de produção no qual
estamos inseridos – de amenizar ou quebrar o desequilíbrio entre produzir e
destruir.
Quando do advento da Revolução
Industrial – em meados do século XVIII - o homem conseguiu uma condição nunca
vista antes no mundo. A dominação – quase completa - dos recursos naturais
proporcionou a produção em larga escala e um crescimento nunca pensado antes: a
diversidade de produtos, os meios de transporte coletivos, as telecomunicações,
o manuseio das mais diversas matérias-primas, as inovações tecnológicas se
tornaram o esplendor – num mundo em constante transformação – de um novo
sistema que prezava e primava não apenas a subsistência ou produção
regional, mas uma produção sistematizada em termos universais - com a nova e
sedenta ótica do lucro. Entretanto o que vei anexado a isto foram problemas socioeconômicos como, a marginalização de grande parte da população, crescimento
desordenado das cidades e etc. além de uma destruição não
menos sistemática e global do meio ambiente. Fábricas e indústrias expeliam de
suas chaminés, sem nenhum tipo de controle, fumaças diversas; resíduos eram
lançados nos rios e mares (como ainda o são); materiais que isolados eram
inofensivos à natureza, agora, se tornam compostos industriais tóxicos que
ameaçam e destroem o solo, água e ar. O composto CFC (clorofluorcarboneto) por exemplo - de solução para os
problemas de refrigeração -, junto com a fumaça das chaminés e a queima de
combustíveis fósseis por motores a combustão, entre outros fatores, se tornaram
os vilões do planeta, ao mesmo tempo em que eram defendidos como os sinais do
progresso e desenvolvimento.
Somente em meados do século passado é
que começamos a dar importância - ou mesmo notar o problema que há muito tempo
acontecia – nas relações entre os processos industriais de produção e a
degradação do meio ambiente, consequentemente a conservação do planeta e da humanidade.
Neste sentido se impões o paradoxo construir/produzir x destruir com
as variáveis antagônicas – na forma que estão posta neste
modelo - progresso/crescimento e desenvolvimento/sustentabilidade,
que deveriam servir para equilibrar esta equação, mas que pendem apenas paro o
lado da primeira, priorizando sempre o crescimento em
detrimento do progresso.
Ainda assim, mesmo em
desarmonia, a busca incessante por novos produtos – nem sempre necessários, que dirá uteis - e novas tecnologias que deveriam servir para
ajudar, mas que pela lógica consumista acabam por ser mais um item no lixo em
pouquíssimo tempo, continuam sendo a força motriz deste sistema, que mesmo
presenciando os males causados por este tipo produção e consumo desenfreado ainda o tornam seu ponto chave.
Podemos pegar como exemplo um dos
bens de consumo mais desejados, o tão sonhado automóvel. Cada ano, este
potentado onírico, tem o modelo alterado, a grande maioria das vezes em
pequenos detalhes – nem sempre perceptíveis a olhos destreinados – que não
modificam sua funcionalidade, mas que aumentam seu preço e teoricamente deixam
o modelo anterior, mesmo com apenas um ano de uso, desatualizado e
subjetivamente ultrapassado e descartável. Ainda neste exemplo é fácil ver que
esta produção esta longe de ser sustentável e segue a lógica da exclusão, uma
vez que seria impossível cada habitante do planeta ter um automóvel, e são vários
e fáceis os fatores para explicar esta afirmação.
Analisando logisticamente seria improvável - mesmo com melhorias na engenharia do transito/trafêgo, nas rodovias
e avenidas - as cidades comportarem tal volume de carros; economicamente seria uma
utopia desconexa com sistema em que vivemos hoje, que tem, como dito acima, a
lógica da exclusão; ecologicamente,
a priori, têm-se dois pontos, o primeiro seria em relação à matéria-prima
demandada para produção, funcionamento e manutenção de tal bem, mais
rapidamente ainda os recursos do planeta seriam exauridos do planeta,
o segundo ponto seria a emissão de CO2 e o efeito estufa, que que pela atual repercussão, talvez, seja mais tangível para
nós.
É fácil notar, então, que se faz necessário equilibrar os lados desta equação (construir/produzir
x destruir), levando em conta suas variáveis, dando prioridade
principalmente ao planeta e a sobrevivência da humanidade. Nestes termos, se de
um lado temos a produção, devemos pautá-la por caminhos menos danosos ao meio
ambiente, por tecnologias realmente necessárias, socialmente viáveis – não é
para defender a interrupção dos avanços da pesquisa científica e tecnológica,
longe disso. Devemos ter em mente, como meta e foco que o importante são os
esforços para resolver os problemas das demandas atuais/reais e não criar novas
com a desculpa de ser o progresso - uma vez que progresso é sinônimo de
qualidade de vida, igualdade ou menos desigualdade. Assim,
produtos que satisfaçam as necessidades da população e não apenas sejam um
atrativo quimérico - quase que obrigatório, com obsolescência cronometrada -, mas que alie produção e tecnologia, que não sejam tão devastadoras para a natureza e seja socialmente
sustentável.
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