sábado, 3 de dezembro de 2011

Meio ambiente




Desafio da contemporaneidade: Sustentabilidade e desenvolvimento no mundo atual é possível? - Parte I.



Produtos que satisfaçam as necessidades da população e não sejam apenas um atrativo – quase que obrigatório, com obsolescência cronometrada -; alie uma produção e tecnologia que não agrida a natureza e seja socialmente sustentável.
             

 É fácil notar que a cada dia as transformações no mundo ocorrem com mais velocidade: um suposto progresso é o objetivo, a tecnologia é o meio utilizado, novos produtos são seu motor e o ser humano seu condutor. Mas este itinerário passa pela poluição, degradação e destruição de grande parte do nosso planeta, chegando mesmo a comprometer seus ciclos vitais e por consequência a vida humana na terra. O homem passa pelo desafio – uma vez que esta depredação da natureza é inerente ao sistema de produção no qual estamos inseridos – de amenizar ou quebrar o desequilíbrio entre produzir e destruir.
            Quando do advento da Revolução Industrial – em meados do século XVIII - o homem conseguiu uma condição nunca vista antes no mundo. A dominação – quase completa - dos recursos naturais proporcionou a produção em larga escala e um crescimento nunca pensado antes: a diversidade de produtos, os meios de transporte coletivos, as telecomunicações, o manuseio das mais diversas matérias-primas, as inovações tecnológicas se tornaram o esplendor – num mundo em constante transformação – de um novo sistema que prezava  e primava não apenas a subsistência ou produção regional, mas uma produção sistematizada em termos universais - com a nova e sedenta ótica do lucro. Entretanto o que vei anexado a isto foram problemas socioeconômicos como, a marginalização de grande parte da população, crescimento desordenado das cidades e etc. além de uma destruição não menos sistemática e global do meio ambiente. Fábricas e indústrias expeliam de suas chaminés, sem nenhum tipo de controle, fumaças diversas; resíduos eram lançados nos rios e mares (como ainda o são); materiais que isolados eram inofensivos à natureza, agora, se tornam compostos industriais tóxicos que ameaçam e destroem o solo, água e ar. O composto CFC (clorofluorcarboneto)  por exemplo - de solução para os problemas de refrigeração -, junto com a fumaça das chaminés e a queima de combustíveis fósseis por motores a combustão, entre outros fatores, se tornaram os vilões do planeta, ao mesmo tempo em que eram defendidos como os sinais do progresso e desenvolvimento.

            Somente em meados do século passado é que começamos a dar importância - ou mesmo notar o problema que há muito tempo acontecia – nas relações entre os processos industriais de produção e a degradação do meio ambiente, consequentemente a conservação do planeta e da humanidade.  Neste sentido se impões o paradoxo construir/produzir x destruir com as variáveis antagônicas – na forma que estão posta neste modelo - progresso/crescimento e desenvolvimento/sustentabilidade, que deveriam servir para equilibrar esta equação, mas que pendem apenas paro o lado da primeira, priorizando sempre o crescimento em detrimento do progresso.
Ainda assim, mesmo em desarmonia, a busca incessante por novos produtos – nem sempre necessários, que dirá uteis - e novas  tecnologias que deveriam servir para ajudar, mas que pela lógica consumista acabam por ser mais um item no lixo em pouquíssimo tempo, continuam sendo a força motriz deste sistema, que mesmo presenciando os males causados por este tipo produção e consumo desenfreado ainda o tornam seu ponto chave.
            Podemos pegar como exemplo um dos bens de consumo mais desejados, o tão sonhado automóvel. Cada ano, este potentado onírico, tem o modelo alterado, a grande maioria das vezes em pequenos detalhes – nem sempre perceptíveis a olhos destreinados – que não modificam sua funcionalidade, mas que aumentam seu preço e teoricamente deixam o modelo anterior, mesmo com apenas um ano de uso, desatualizado e subjetivamente ultrapassado e descartável. Ainda neste exemplo é fácil ver que esta produção esta longe de ser sustentável e segue a lógica da exclusão, uma vez que seria impossível cada habitante do planeta ter um automóvel, e são vários e fáceis os fatores para explicar esta afirmação.
            Analisando logisticamente seria improvável - mesmo com melhorias na engenharia do transito/trafêgo, nas rodovias e avenidas - as cidades comportarem tal volume de carros; economicamente seria uma utopia desconexa com sistema em que vivemos hoje, que tem, como dito acima, a lógica da exclusão; ecologicamente, a priori,  têm-se dois pontos, o primeiro seria em relação à matéria-prima demandada para produção, funcionamento e manutenção de tal bem, mais rapidamente ainda os recursos do planeta seriam exauridos do planeta,  o segundo ponto seria a emissão de CO2 e o efeito estufa, que que pela atual repercussão, talvez, seja mais tangível para nós.
           É fácil notar, então, que se faz necessário equilibrar os lados desta equação (construir/produzir x destruir), levando em conta suas variáveis,  dando prioridade principalmente ao planeta e a sobrevivência da humanidade. Nestes termos, se de um lado temos a produção, devemos pautá-la por caminhos menos danosos ao meio ambiente, por tecnologias realmente necessárias, socialmente viáveis – não é para defender a interrupção dos avanços da pesquisa científica e tecnológica, longe disso. Devemos ter em mente, como meta e foco que o importante são os esforços para resolver os problemas das demandas atuais/reais e não criar novas com a desculpa de ser o progresso - uma vez que progresso é sinônimo de qualidade de vida, igualdade ou menos desigualdade. Assim, produtos que satisfaçam as necessidades da população e não apenas sejam um atrativo quimérico - quase que obrigatório, com obsolescência cronometrada -, mas que alie produção e tecnologia, que não sejam tão devastadoras para a natureza e seja socialmente sustentável.




    




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