Desafio da contemporaneidade: Sustentabilidade e desenvolvimento no mundo
atual é possível? - Parte II.
"Muito
provavelmente não haja superação total do desafio que vivemos hoje, mas um
equilíbrio que alie produção e sustentabilidade, progresso e desenvolvimento,
natureza e o homem em uma relação harmônica será fator decisivo para as
gerações humanas futuras."
A sustentabilidade passa pela produção, mas somos
nós que compramos – ou seja, sustentamos - e utilizamos os produtos derivados
deste sistema predatório; somos nós que nos deixamos influenciar por tendências
da “moda” e queremos um produto novo mesmo que seja as expensas de mais
poluição, mais demanda de matéria-prima (por isso mais exploração do meio
ambiente), mais lixo - que agora conta com mais uma categoria, o “lixo
tecnológico”-, sem contar mais dívidas. Por outro lado, se hoje falamos das
atitudes ecologicamente corretas de consumo, temos de entender que fazer nossa
parte é fundamental, mas de maneira alguma isto é o suficiente. Uma revisão de
conceitos e soluções que sejam realmente postas em prática, e não transformem simplesmente em protocolo arquivado; discernir entre o que é útil e/ou
agradável; necessário ou supérfluo; modismo/interesse econômico ou iniciativa
sustentável é estritamente importante e inextricável quanta a promoção de
uma sociedade sustentável.
Neste contexto
basta ver o exemplo de São Paulo, nesta cidade criou-se um consenso, há pouco
tempo, que as sacolas plásticas são as vilãs do meio ambiente, as
arqui-inimigas do planeta e que a solução para preservação do meio ambiente,
então, é bani-las, extingui-las do nosso cotidiano. Não duvido dos males
causados – principalmente ao solo – pelas sacolas que demoram a se decompor,
engasgam animais marinhos e etc. O problema é que esta propaganda/campanha,
desregrada/direcionada - e levada a serio demais por uma camada de pseudoambientalistas - é
basicamente um engodo, uma piada de mau gosto, quando pensada de perto, devido
à forma que sua proposta é implementada. Basta olhar os impactos – termo este
bastante usado pelos “ambientalistas” – socioeconômicos causados pela medida,
se legitimada por Lei como acontece no Estado de São Paulo. Neste estado a
medida entrou em vigor no ano passado e trás consigo o critério
empresarial/capitalista: quem paga a conta é o mais fraco, ou seja, a única
opção do trabalhador é comprar a sacola - e veja bem, ele que
muitas vezes mal tem dinheiro para as compras que mantém a família.