domingo, 15 de julho de 2012

SUSTENTABILIDADE

   Desafio da contemporaneidade: Sustentabilidade e desenvolvimento no mundo atual é possível? - Parte II.


"Muito provavelmente não haja superação total do desafio que vivemos hoje, mas um equilíbrio que alie produção e sustentabilidade, progresso e desenvolvimento, natureza e o homem em uma relação harmônica será fator decisivo para as gerações humanas futuras."

       

A sustentabilidade passa pela produção, mas somos nós que compramos – ou seja, sustentamos - e utilizamos os produtos derivados deste sistema predatório; somos nós que nos deixamos influenciar por tendências da “moda” e queremos um produto novo mesmo que seja as expensas de mais poluição, mais demanda de matéria-prima (por isso mais exploração do meio ambiente), mais lixo - que agora conta com mais uma categoria, o “lixo tecnológico”-, sem contar mais dívidas. Por outro lado, se hoje falamos das atitudes ecologicamente corretas de consumo, temos de entender que fazer nossa parte é fundamental, mas de maneira alguma isto é o suficiente. Uma revisão de conceitos e soluções que sejam realmente postas em prática, e não transformem simplesmente em  protocolo arquivado; discernir entre o que é útil e/ou agradável; necessário ou supérfluo; modismo/interesse econômico ou iniciativa  sustentável é estritamente importante e inextricável quanta a promoção de uma sociedade sustentável.
          Neste contexto basta ver o exemplo de São Paulo, nesta cidade criou-se um consenso, há pouco tempo, que as sacolas plásticas são as vilãs do meio ambiente, as arqui-inimigas do planeta e que a solução para preservação do meio ambiente, então, é bani-las, extingui-las do nosso cotidiano. Não duvido dos males causados – principalmente ao solo – pelas sacolas que demoram a se decompor, engasgam animais marinhos e etc. O problema é que esta propaganda/campanha, desregrada/direcionada - e levada a serio demais por uma camada de pseudoambientalistas - é basicamente um engodo, uma piada de mau gosto, quando pensada de perto, devido à forma que sua proposta é implementada. Basta olhar os impactos – termo este bastante usado pelos “ambientalistas” – socioeconômicos causados pela medida, se legitimada por Lei como acontece no Estado de São Paulo. Neste estado a medida entrou em vigor no ano passado e trás consigo o critério empresarial/capitalista: quem paga a conta é o mais fraco, ou seja, a única opção do trabalhador é comprar a sacola - e veja bem, ele que muitas vezes mal tem dinheiro para as compras que mantém a família.

         A melhor maneira de entender a situação é tentar compreender como esta figura geométrica multifacetada e nada equilátera se forma. Por um dos lados, o dono do supermercado terá um grande bônus em relação à aquisição de sacolas, pois não haverá mais a distribuição gratuita, sendo quase certo que esta redução de gastos não será repassada, no valor dos produtos, para o consumidor final, que ainda terá que pagar pela sacola. Em outra base o Governo, também, penaliza o consumidor por se eximir de uma propaganda eficiente  – não digo educação, por que levaria anos, e a medida veio para ser imediata e eficaz, até por que estamos à beira de um colapso, uma hecatombe, uma baleia foi encontrada com '3000 sacos plásticos" no estomago – sobre mau uso das sacolas, coleta seletiva; regulamentação de aterros; ou mesmo, por cobrar dos supermercados o fornecimento das sacolas “salvadoras do mundo” biodegradáveis.
         Neste sentido há contra-argumentos que a distribuição das “salvadoras do mundo” por parte do supermercado ou do governo (por que não? Já que aceitou tal proposta) tornaria o problema o mesmo, uma vez que o consumo de sacolas continuaria. Certo, vamos pensar. Se a “auspiciosa sacola biodegradável” for mesmo “biosalvadoradomundo” ela não vai durar muito tempo, então não será problema, pois irá se decompor rapidamente no meio ambiente, fato. Qual o problema então? Irão dizer (com certeza em sua maioria empresários ou porta-vozes de grandes redes de supermercado): ah! serão grandes os custos para as empresas. Cabe ressaltar que algumas redes de supermercado tem lucro anual R$38 milhões, então fica a falta de lógica: quer dizer que estes “empresários coitadinhos” não têm condições de arcar com este ônus, mas em contrapartida o trabalhador assalariado tem?
           A solução são as sacolas retornáveis, pensarão outros. Que sejam distribuídas, então, pelas empresas que prestam o serviço. Só que mais uma vez virá o argumento da distribuição desregrada de sacolas. Neste ponto é bom entender o que são as, agora, famigeradas sacolas plásticas. 
           Data de 1970 a inserção em massa das sacolas. Sua matéria prima é o nafta - extraído através do processo de craqueamento petróleo -  que é direcionado para a indústria petroquímica, dando origem as matérias-primas do plástico, principalmente o eteno. O  nafta é 1 (um) dos 7 componentes obtidos através do processo citado acima – entre eles constam a gasolina, diesel e etc. – que ainda tem os resíduos (asfalto, piche e coque) e subprodutos(parafina e vaselina). O plástico pode ser classificado como termofixos e termoplásticos, o primeiro tem com principal característica a deformação irreversível, já o segundo tem a vantagem de ser mais versátil.  Neste contexto é importante saber que apenas 4% do petróleo é usados na fabricação de plástico – de todos os tipos, desde os canos das casas a eletrodomésticos - a maior parte do ouro negro é usado para produção de gasolina, querosene, óleo diesel e etc.
         Ora, se o problema é que a distribuição das sacolas retornáveis por parte dos supermercados ocasionará o mesmo descontrole, fica fácil, um simples cadastro de quem já retirou sacolas – proporcionando assim menos “prejuízo” para as empresas -, limitando durante determinado numero de meses – pois todo produto tem sua validade - a retirada da bolsa retornável por cada cliente, configurando assim o controle da saída desregrada de muitas sacolas. Mas, mesmo sabendo que opções devem ser estudadas, podemos ter certeza que, em contrapartida  os mesmos que reclamariam dos custos,  dirão que medidas como esta irá gerar burocracia. Pergunto burocracia? Quer sistema mais eficaz que o cadastramento e fornecimento de cartão “fidelidade” de credito nas grandes lojas, para não dizer a falta de respeito que é revistar os clientes na saída, como acontece nas lojas da rede Makro e Atacadão, - o primeiro, "coitadinho", em 2010 teve  lucro de R$38 milhões já o segundo representa o braço mais lucrativo do mega grupo Carrefour no Brasil – ou seja, burocracia e sistematização é coisa que não é problema.
          Em outro ponto desta figura, talvez na verdade um quebra-cabeça - com peças totalmente desiguais e que não se encaixam - temos a pequena e média indústria do plástico que fabricam as "maléficas sacolas". Elas são realidade econômica direta e indiretamente para milhares de trabalhadores, irão fazer o quê estas pessoas com a queda da demanda de seus produtos? Numa análise e perspectiva rápida a saída são demissões.   
        Não estou escrevendo a favor o consumo e muito menos contra uso consciente das sacolas, muito pelo contrário, ressalto que é urgente uma educação ambiental eficiente, consciente e crítica - e não apenas modismos subsidiados por interesses, pelo que vejo, escusos e econômicos ou economicamente escusos. Por isso enxergo como penalização para o consumidor o pagamento das sacolas, ao mesmo tempo em que sou, nos termos acima, relativamente a favor da distribuição das sacolas.
          Portanto, Necessitamos de indústrias e empresas responsáveis que realmente pense na sustentabilidade produtiva, e não se utilizem disso superficialmente apenas como peça de marketing comercial – diga se passagem como muitas fazem. Muito provavelmente não haja superação total do desafio que vivemos hoje, mas um equilíbrio que alie produção e sustentabilidade, progresso e desenvolvimento, natureza e o homem em uma relação harmônica será fator decisivo para as gerações humanas futuras.

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