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terça-feira, 31 de março de 2015

Racismo estrutural

E a sociedade Brasileira quando vai entrar maioridade mental?

*Marcio Coelho

Complicado entender esta sociedade que afirma reconhecer que o país é desigual, que a educação é precária, diz que a inflação está galopante, que é contra o bolsa família (programa que garante a permanência do jovem na escola), que não existe emprego, que a televisão tem programas ruins, que deve-se investir em oportunidades e etc...e etc. Mas apoia de forma peremptória a redução da maioridade penal...Vamos jogar o ônus de todos este desequilíbrios sociais no adolescente? Vai entender!

Alguns dizem que o código penal é ultrapassado, foi promulgado no final da década de 40 e essa sociedade era diferente e os jovens daquela época também o eram... concordo plenamente!

Realmente na década de 40 você não tinha mais de 50 milhões de jovens no país, aproximadamente 21 milhões de adolescentes; você não tinha um sistema de comunicação sólido, abrangente e extremamente eficaz em distribuir sua grade programação alienante, vazia e superficial; você não tinha (e realmente não tinha em termos numéricos) uma escola com falsas promessas para mobilidade social,  escolas que não conseguem dar conta do contexto e realidade social de seus alunos, que em sua maioria são jovens brasileiros que se encontram em situação vulnerabilidade social.

E neste sentido infelizmente é fácil constatar que O MAIOR PERIGO NO BRASIL É SER NEGRO, POBRE E JOVEM, vale dizer que “a cada 25 minutos morre um jovem negro e pobre no Brasil, vítima da violência. Ou seja, são aproximadamente dois jovens negros mortos por hora, 48 por dia, 336 mortos por semana, 1344 mortos por mês. Esse é um número igual ou maior que o de muitas guerras que acontecem pelo mundo”(dados da Anistia Internacional).

Muitos ainda, subsidiados pelos mitos do senso comum ou do discurso parcial, tendencioso, leviano de grande parte da nossa imprensa televisa e/ou impressa afirmam que alguma coisa tem que ser feita, pois são muitos os crimes realizados por indivíduos considerados menores de idade. Entretanto, segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) os menores são responsáveis por 0,9% do total dos crimes no país. Se analisarmos apenas homicídios e tentativas de homicídio, o percentual cai para 0,5%. A UNICEF aponta que 0,01% dos adolescentes cometeram crime contra a vida.
Sem contar que quem vai preso no Brasil é preto e pobre. Os dados, do “MAPA DO ENCARCERAMENTO- Juventude encarcerada”, apontam que em 2012 eram 295,242 mil negros encarcerados, mais de 50% da população carcerária. E ainda: "Em 2012, para cada grupo de 100 mil habitantes brancos acima de 18 anos havia 191 brancos encarcerados, enquanto para cada grupo de 100 mil habitantes negros acima de 18 anos havia 292 negros encarcerados, ou seja, proporcionalmente o encarceramento de negros foi 1,5 vez maior do que o de brancos em 2012." O número de jovens também é alarmante são 266.356, dados de 2012, ou seja mais de 50% dos presos.

Se tentarmos compreender esta situação pela esfera educacional fica ainda mais complicado: “os dados do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), em 2012, [apontam que] havia uma população de 548.003 prisioneiros, encarcerados em 1.478 estabelecimentos penais no Brasil. Dessa população, 29.592 foram considerados analfabetos, 68.501 eram alfabetizados funcionais (o indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos) e 248.245 não concluíram o ensino fundamental. ”

Outro fato interessante é que a nossa população carcerária tem crescido bastante, mas não vemos os crimes diminuírem. Em 2012 como dito acima o número de presos era 548.003, já em junho de 2014 segundo dados do Ministério da Justiça a população carcerária contava com 711.463 presos, incluído as 147.937 pessoas em prisão domiciliar. Podemos acrescentar ainda a taxa de reincidência de nosso sistema prisional que em alguns estabelecimentos chega a mais de 70%.
É importante ressaltar o equívoco ou cinismo de que não existe punição para os menores. No Brasil o IRC (Idade de Responsabilidade Criminal) é de 12 anos. A partir desta idade o brasileiro já é passível de punição, embasado por critérios pedagógicos, sociais, psicológicos e psiquiátricos por seus atos, que vai de advertência, reparo do dano até chegar na pena de internação de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente.  

Mas, podemos nos questionar:  O encarceramento no sistema prisional comum é solução?
Os dados acima e o crescimento do número de preso e a taxa de reincidência vão não contramão.

Outros também dirão que diferente do século passado, crianças e adolescentes tem muito mais informações. “A internet está aí!”- esbravejam.
Não há como duvidar, nada mais verdadeiro que isto!
Entretanto uma coisa tem que ser ressaltada: informação não é conhecimento e muito menos é sabedoria, ou seja, capacidade de discernimento entre o positivo e negativo, certo e errado, conservador e progressista! São conceitos/abstrações que confluem, mas completamente diversos, e que por isso derrubam este argumento. 
Para ser mais didático basta citar as manifestações do dia 15/03/2015 (deixo claro que nada contra as manifestações), nesta data uma grande parcela dos que que foram as ruas - formada inclusive por pessoas não jovens - criou um espetáculo de bizarrices, onde foi possível ver situações esquizofrênicas e mesmo patéticas, numa amplitude de pedidos de intervenção militar (coincidentemente ou não, a PEC 171 foi aprovada justamente quando se rememora 51 anos do golpe militar no Brasil), passando por pedidos de impeachment sem fundamentação, “fora Paulo Freire”, pedido de ajuda militar dos EUA até o descalabro de “feminicídio sim!” (inclusive na mão de uma mulher)... na verdade é de causar a chamada “vergonha alheia”. 

Todas estas pessoas, generalizando a situação como a fazem os defensores da PEC, tem acesso a internet e a “educação”, mas afirmam coisas de dar calafrios e arrepios até mesmo em intelectuais e políticos da direita (pelo menos aqueles que são democráticos). Fica claro que para muitas destas pessoas a informação não foi transformada em conhecimento e muito menos em sabedoria.

Será então que um adolescente periférico consegue fazer uso do oceano de informações da rede até chegar no discernimento como querem os defensores da PEC? - Levando-se em conta que ele será mediado por seu universo de privações; desigualdades; exclusões e opressões; nossa precária e claudicante educação e ainda a mídia superficial, vazia e tendenciosa - É COMPLICADO!

Mas o problema é a maioridade penal! – Continuam a gritar.

Não adianta atacar os galhos, é na raiz que está o problema. A adolescência é uma fase de desenvolvimento, socialização e amadurecimento. É nesta perspectiva que o ataque tem que ser radical, feito na construção de uma sociedade mais justa, igualitária, menos racista e opressora, que proporcione uma educação emancipadora, inclusiva, integradora, democrática e socialmente referenciada que tenha como norte a coletividade e não o espelho de casa, ou apenas as fotos do facebook e/ou do instagram. Como disse o mestre Paulo Freire:

“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

Update:20/07/15


*Marcio Coelho é Graduando em Ciências Sociais - UESC-BA, está Coordenador Geral do Centro Acadêmico de Ciências Sociais e é membro do Coletivo Só Podia Ser Preto.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CABULOSO!

"Carnaval, futebol
Não mata, não engorda
E não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol..."


Deve ter sido a estrofe acima a inspiração para a estarrecedora, mas não surpreendente, declaração nefasta (quase criminosa) do Governador da Bahia (Rui Costa) sobre a chacina de 13 jovens (06/02/2015), negros e pobres, no Cabula em Salvador, pela Polícia Militar baiana. Abaixo a transcrição do trecho e o link do vídeo completo:

A polícia (…) tem que definir a cada momento (…), ter a frieza e a calma necessária para tomar a decisão certa. É como um artilheiro em frente ao gol que tenta decidir, em alguns segundos, como é que ele vai botar a bola dentro do gol, pra fazer o gol (…)”

Estarrecedora por se tratar da morte de 13 seres humanos que tiveram o fim de suas vidas comparadas a “Gols”. O herói, para o governador, é o artilheiro/policial que “derruba”, numa lógica maniqueísta , “O mal”, que neste caso é materializado no preto e pobre, devendo assim ser exterminado. Não surpreendente, pelo tratamento já tradicional dado pelo Estado brasileiro (governos estaduais e prefeituras)  a população negra e periférica.

Dentro de nossa estrutura racista e cada vez mais segregacionista destaca-se com certeza a capital de nosso Estado. Salvador que é contabilizada como a cidade, fora do continente africano, com maior incidência de negros nunca deixou de viver um apartheid social/racial. Neste aspecto é necessário deixar claro que o preconceito no Brasil primeiramente é na base da cor da pele e agravado pela situação econômica-social.

É esta a situação e contexto racista, onde 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros. Deve-se ressaltar, ainda, que grande parte das mortes é promovida pela polícia, que tem refúgio, abrigo e impunidade nos falaciosos “autos de resistência”.  É ainda mais assustador (pelo menos para alguns) os dados que apontam: "que a cada 25 minutos morre um jovem negro pobre no Brasil, vítima da violência. São aproximadamente dois jovens negros mortos por hora, 48 mortos por dia, 335 mortos por semana, 1344 mortos por mês. Esse é um número igual ou maior do que muitas guerras pelo mundo.” (continue lendo >>)


domingo, 16 de novembro de 2014

Machismo

A rapariga, o cavaleiro e a Santa Cruz.


"Era uma tarde fagueira, como outra qualquer no reino de Santa Cruz, o calor desconfortável se explicava pelas nuvens plúmbicas que majoravam a umidade como de costume. Ainda assim, a temática da palestra era importante, vamos tê-la.
Infelizmente, para a surpresa de todos, a cena principal não se fez com os ministrantes, mas o episódio senhoras e senhores, é verdade, tenho o desprazer de narrar:
Senhorita negra, trajada com turbante, foi rispidamente segurada pelo braço, por um senhor que se disse professor. Logo depois recebe a afirmativa que:
- És “linda”...
Ainda estupefata pelo gesto arrogante e agressivo, recebe outra intenta:
-Está aqui meu cartão.
A mãe da rapariga, que está no mesmo recinto, adverte o “potentado”:
- Estou aqui! - Ele não titubeia.
- Tome também o meu cartão.
O CAVALEIRO “galanteador” se regozija e prossegue sua jornada, entendendo como é costumeiro da sociedade que a mulher é para ser ‘cuidada’, e a mulher negra, ainda mais, precisa de um bem-feitor que lhe dê amor. "
- Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...ou não!-
***
O que significa este gesto?
Este episódio aconteceu no século XXI?
Quem é esse que não respeita uma mãe?
Que século estamos? Quem são estes CAVALEIROS? - que ignoram a mulher como cidadã e dona de si.
E esse cartão? O que ele quis dizer?
Talvez seria normal se não houvesse uma estrutura de poder coercitiva patriarcal e machista. E como não é o caso, como fica o poder institucionalizado professor/aluna?
...é o cabelo, é o turbante? A altives e identidade?
O quê são ou QUEM as mulheres? São produtos que devemos pegar pelo braço e etiquetar com um cartão? São um produto?
Já é hora de valorizar a nossas mães, irmãs, namoradas, amigas, amantes... todas as MULHERES de nossa vida!

domingo, 2 de novembro de 2014

Racismo

A ignorância ou preguiça conveniente 


O pensamento indigente e alienado sobre o racismo no Brasil, não é apenas falta de conhecimento, é uma zona de conforto onde a maioria dos que dizem não ter preconceito residem e não querem sair ou ultrapassar. É a ignorância ou preguiça conveniente de quem quer manter privilégios. É fácil notar, pois mesmo com todos os dados escancarados que demostram a desigualdade seja de oportunidades ou de equiparação social (status), econômica (salários) e política (participação), continuam a repetir o discurso dissimulado e cínico do mito da “democracia racial”.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos Crespos e a mídia brasileira – parte 2.

A lógica midiática, oportunista e dissimuladamente racista em sua estrutura, tem como resultado por um lado o sujeito negro emulando a estética apresentada na televisão (cabelos, vestimentas, gírias e etc.). Mas por outro, não apresenta negros (com estes atributos estéticos) em posições de destaque seja em sua programação geral e/ou nas tramas dramatúrgicas – com exceção de ser como o vilão/assaltante/favelado e como a empregada/domestica que é “quase da família”.
São décadas de denúncias a respeito dos insistentes, constantes e repetidos personagens com posições subalternas e/ou marginais nas tramas das novelas. Ainda assim, pouquíssimas são as mudanças neste cenário.
    A referenciação quanto a “bons exemplos” poderia – mesmo que superficialmente, já que funciona em termos estéticos – abrir concorrência ao mundo do crime, bem como alargar os horizontes para a educação. Nesta perspectiva, para os jovens, ver negros como protagonistas com profissões alçadas pela escola/educação (professores, advogados, médicos, engenheiros e etc.) e não apenas jogadores de futebol ou modelos – nada essencialmente contra estes profissionais – seria importante tanto para resistir ao assédio do crime, como ao desinteresse pelos estudos. 
Esta sempre foi uma demanda importante e agora, com esta geração cada vez mais imagética, se torna ainda mais primordial. Alguns podem dizer que tal demanda não representaria a realidade social, argumento totalmente impróprio. Existem negros em posição de destaque em nossa sociedade, infelizmente graças a nossa estrutura, em menor proporção e com salários mais baixos que os brancos, mas existem. E só não existem mais, pelo nosso racismo estrutural. Em contrapartida, desde quando as peças novelescas globais estão atreladas a realidade? Encontrar verossimilhança nas novelas é um trabalho de garimpo, nos dias atuais, em serra pelada.
Vivenciamos a tergiversação dessa e de outras demandas há muito elencadas pelo movimento negro em relação a mídia, principalmente a televisiva. Ao mesmo tempo, consoante com isso, o que acontece é o fortalecimento cada vez maior dos estereótipos raciais a exemplo do recém lançado programa "sexo e as nega".(Continue lendo...)

domingo, 10 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos crespos e a mídia brasileira - Parte I.


Foi e é árdua a luta dos movimentos negros pelos direitos de cidadania e identidade, colocando-se nessa última o pacote de suas orientações religiosas/religiosidade até a aceitação da estética negra como sinônimo, também, de beleza.
Caso interessante perpassa atualmente pela estética negra. Nos últimos anos a afirmação dos cabelos crespos, encaracolados ou black powers vem crescendo vertiginosamente, em proporção direta ao número de artistas que agora ostenta a cabeleira “natural”. É preciso ressaltar que esta é uma luta de anos do movimento negro, mas que só foi abarcada pela população graças a mídia televisiva.
Dos poderes imperativos que conformam a mídia brasileira (principalmente o canal do "plim plim") alguns perderam força, outros no entanto se robusteceram ainda mais pela ótica multiculturalista, a dizer principalmente no que tange as tendências da moda. 
Para muitos a influência da mídia na vida das pessoas é quase inócua e que as superfinanciadas novelas nada tem a ver com a população e suas predileções seja politicas, identitárias e etc. Sem querer entrar no maniqueísmo de sua função social, vemos e sentimos no dia-a-dia as reverberações das novelas que atualmente ocupam praticamente a grade de programação inteira da emissora com maior audiência do país.
A assunção dos cabelos crespos principalmente no caso das mulheres, parcela que mais diretamente é pressionada pela padronização caucasiana do corpo, é um ato de empoderamento que em todos os casos deve ser celebrado.

Entretanto, além obviamente de ser um fenômeno interessante, principalmente, para os negros, também demonstra a força tanto de assimilação quanto de manipulação da mídia “tradicional” em relação as demandas da sociedade. É notório que este fenômeno se popularizou a partir do surgimento na televisão de sujeitos empoderados ou não com os “cabelos assumidos”.
Explico mais uma vez que não é uma orientação que surgiu do nada, como disse acima, o Movimento Negro (e também de mulheres) lutou e luta pela aceitação de sua "liberdade estética" pela sociedade. Neste caso o que é temerário é cooptação da demanda histórica, que na verdade sempre teve um caráter no mínimo triplo, seja o propriamente estético, mas também, e da mesma forma importante, cultural e político. 
No viés que se manifesta os “cachos”, em grande parte dos casos, privilegia-se apenas o lado estético, que é de todas as formas importante, mas não suficiente. É necessário o fortalecimento multidimensional da identidade negra numa ótica de reconhecimento do sujeito negro e a contestação da concretude de subordinação que ainda se mantém, e em outros aspecto, como pensa Frantz Fanon, da liberdade de escolha e opções estéticas/politicas enquanto ser humano.  

Num país onde impera um racismo estrutural e tácito, é importante o posicionamento estético dos negros, mas também é necessária a politização e conscientização do cenário racista em que estamos inseridos. Não podemos nos afundar ainda mais nas garras dos simulacros de identidade que transfiguram uma demanda legítima em apenas mais um item de consumo. O vínculo com a realidade deve ser peça viva em detrimento do que Baudrillard vai chamar de hiper-realidade (simulacros de simulacros onde a ação não mais tem a ver com o sujeito ou objeto em si, é apenas encenação vazia). Um perigo concreto que vivemos, ainda mais com a cooptação de pautas de movimentos sociais, sejam clássicos ou novos. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Racismo


NÃO somos macacos!



É triste constatar a falta de reflexão das pessoas. Seguem em manada atrás de mantras eletrônicos sem perceber a verdadeira dissimulação das palavras que se tornam cicerones de suas ações. 


Mais lamentável ainda é a indignação afetada de indivíduos que fazem parte de um sistema de telecomunicações, racista em toda a sua estrutura e programação, manifestarem sua opinião seletiva. Esta mesma indignação devia ser exasperada quando foram impetradas as ações contra as COTAS, ou para fortalecer luta contra o Genocídio da Juventude Negra. Mas não, por aqui, para estes indivíduos reina a “Democracia Racial”. 

Foi interessante ver a atitude e "presença de espirito" do Daniel Alves. 

Entretanto, triste ver símbolos tão combatidos pelo movimento negro durante todo o século XX, serem revividos de forma tão caquética, numa logica de protesto rarefeito em seu verdadeiro caráter de denúncia e luta por igualdade.

Deprimente, ainda, é a probabilidade de termos intelectuais que defenderão a infame campanha.

Reflexão é essencial para uma opinião crítica, e não apenas uma câmera não mão e uma Hashtag.

"Não existe neutralidade possível: o intelectual deve optar entre o compromisso com os exploradores ou com os explorados”.(Florestan Fernandes)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Burguesia

O cheiro da burguesia



A burguesia, já disse o poeta burguês, fede. 

E nos dias atuais exala, expandi e pulveriza seu odor rancoroso de segregação, racista e fascista. 

Ela é politicamente inapta, economicamente dependente e sem ideias, intelectualmente burra e colonizada. 

Está parcela atrasada, atravanca e aliena o Brasil e os brasileiros há anos. Não consegue enxergar um palmo a frente do nariz empinado - em vários casos graças as cirurgias.

Não aceita que o país seja formado por uma maioria de negros, e por isso se engana e tenta manipular a população baseando-se num Eurocentrismo retrogrado ou “norteamericocentrismo” falido.

De forma absurda, não aceita os aspectos culturais e étnicos da população brasileira - vide novelas, telejornais, series e etc.

Esta mesma elite – ela se acha liberal ou neoliberal - tem medo da concorrência, só não se sabe o porquê.

500 anos de privilégios não foram suficientes?

Na verdade a elite burguesa não apenas fede. Ela cheira, fuma, bebe, come e faz merda.

A diferença é que as outras classes não podem fazer as mesmas coisas/atitudes.


Aí é coisa de marginal e de pobre - gritam e querem justiça!

Os “playboys” e “patricinhas” que também financiam o crime estão soltos.

Mas caso sejam presos, seus pais lá estarão munidos com os advogados, dinheiro da fiança e/ou mesmo suborno - ainda que este seja simbólico pela pressão da posição social.

A burguesia, já disse o poeta, fede. E nos dias atuais exala, expandi e pulveriza seu odor rancoroso de segregação, racista e fascista.

Dialética, e sim, dialogismo sempre!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Brasil e políticas púbilcas

A "identidade" nacional...



 
 Imagem: http://wellblog-observador.blogspot.com/2009/12/o-brasil-esta-sendo-loteado-enquanto.html
     

E parece que a polêmica das cotas não chega ao fim, estava navegando pela pagina do G1 e vi a coluna da professora Yvone Maggie(clique aqui para ler). O texto nas entrelinhas criticas as cotas e para variar recebeu diversos comentários polêmicos. Transcrevo aqui minha opinião a respeito do texto e das cotas, ainda que superficialmente. Fiz algumas modificações, no comentário original, para a contextualização ficar mais inteligível.

      As asseverações da cisão/divisão da sociedade racialmente por causa desta politica de afirmação social; e que as cotas são a afirmação que o negro não teria condições de competir “em igualdade de direitos e condições”  (como disse alguns leitores que comentaram no referido site), só seriam factíveis se fossem validas as noções "identidade nacional brasileira" e “Democracia racial” – nos empurradas goela abaixo – que não temos preconceitos, que no Brasil não tem racismo. Validado isto, seria fácil desmantelar e rebater qualquer argumento favorável às cotas, simples e prático.
     Mas como tal asseveração, muito pelo contrário, pode ser facilmente refutada, temos um dilema, aliás, um conflito de interesses. Pode-se até debater com a colunista quanto ao não "cientificismo das raças", pois, somos todos humanos. A categoria raça está ligada a similitudes étnicas, culturais antropológicas, fenotípicas, que se desdobram em conceituações amarradas no espaço e no tempo e pela derivações dos aspectos políticos e sociais..  Entretanto, se a professora puder negar que o argumento “científico” serviu (e por vezes até continua a servir) para justificar a privação da liberdade e dignidade humana, com o simples argumento da cor ( diferenças físicas) e da "inferioridade"/diferença cultural, ficaria satisfeito.
     Nossa identidade cultural foi forjada num contexto de “aculturação” dos povos que formaram nosso país. Nos foi passado à imagem de um povo amalgamo e miscigenado com oportunidades e direitos iguais para todos (detalhe interessante é que se somos todos humanos como haver mistura/miscigenação? este dois conceitos partem do pressuposto que existem, pelo menos, duas "coisas" diferentes que se tornam uma). Esta falsa noção da "democracia racial", produz imagem e reflexo que nos força ao erro de acharmos que realmente a equidade reina na terra de Vera Cruz, quando na verdade acontece o oposto.