Movimento
Negro, Cabelos Crespos e a mídia brasileira – parte 2.
A lógica midiática, oportunista e dissimuladamente racista em sua
estrutura, tem como resultado por um lado o sujeito negro emulando a
estética apresentada na televisão (cabelos, vestimentas, gírias e
etc.). Mas por outro, não apresenta negros (com estes atributos estéticos)
em posições de destaque seja em sua programação geral e/ou nas
tramas dramatúrgicas – com exceção de ser como o
vilão/assaltante/favelado e como a empregada/domestica que é “quase da
família”.
São décadas de denúncias a respeito dos insistentes, constantes e
repetidos personagens com posições subalternas e/ou marginais nas tramas das
novelas. Ainda assim, pouquíssimas são as mudanças neste cenário.
A referenciação quanto a “bons exemplos” poderia –
mesmo que superficialmente, já que funciona em termos estéticos – abrir
concorrência ao mundo do crime, bem como alargar os horizontes para a educação.
Nesta perspectiva, para os jovens, ver negros como protagonistas com profissões
alçadas pela escola/educação (professores, advogados, médicos, engenheiros e
etc.) e não apenas jogadores de futebol ou modelos – nada essencialmente contra
estes profissionais – seria importante tanto para resistir ao assédio do crime,
como ao desinteresse pelos estudos.
Esta sempre foi uma demanda importante e agora, com esta geração cada
vez mais imagética, se torna ainda mais primordial. Alguns podem dizer que
tal demanda não representaria a realidade social, argumento totalmente
impróprio. Existem negros em posição de destaque em nossa sociedade, infelizmente graças a nossa estrutura, em menor
proporção e com salários mais baixos que os brancos,
mas existem. E só não existem mais, pelo nosso racismo estrutural.
Em contrapartida, desde quando as peças novelescas globais estão atreladas a
realidade? Encontrar verossimilhança nas novelas é um trabalho de garimpo, nos
dias atuais, em serra pelada.
Vivenciamos a tergiversação dessa e de outras demandas há muito
elencadas pelo movimento negro em relação a mídia, principalmente a televisiva.
Ao mesmo tempo, consoante com isso, o que acontece é o
fortalecimento cada vez maior dos estereótipos raciais a exemplo
do recém lançado programa "sexo e as nega". (Continue lendo...)
Existe um silêncio sepulcral no que parece um sufrágio feito pelo
movimento negro quanto a esta questão, o que torna mais evidente o racismo
instalado nas emissoras brasileiras. Na verdade o que temos são argumentações
nefastas que nos remete ao mito da "Democracia racial", onde esteriótipos e
expressões de cunho notoriamente racista tentam ser ressignificadas. No
entanto, basta uma pesquisa histórica, ainda que superficial, para que tais
alegações sejam facilmente esfaceladas.
Por isso é importante estarmos atentos
as “conquistas”. Não cabe elencar qual a mais importante, precisamos entender a
complexidade do racismo no Brasil e seu eixo perverso de subordinação, onde o
ultimo giro se finda na mulher negra. É essencial perceber as
dimensões da cidadania que ainda nos é NEGADA, sejam as objetivas
ou subjetivas, e lutar para que estes “intermináveis” entraves para a igualdade
sejam dirimidos.
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