A "identidade" nacional...
Imagem: http://wellblog-observador.blogspot.com/2009/12/o-brasil-esta-sendo-loteado-enquanto.html
E parece que a polêmica das cotas
não chega ao fim, estava navegando pela pagina do G1 e
vi a coluna da professora Yvone Maggie(clique aqui para ler). O texto nas entrelinhas criticas as
cotas e para variar recebeu diversos comentários polêmicos. Transcrevo aqui
minha opinião a respeito do texto e das cotas, ainda que superficialmente. Fiz
algumas modificações, no comentário original, para a contextualização ficar
mais inteligível.
As asseverações da cisão/divisão da
sociedade racialmente por causa desta politica de afirmação social; e que as
cotas são a afirmação que o negro não teria condições de competir “em igualdade
de direitos e condições” (como disse alguns leitores que comentaram no
referido site), só seriam factíveis se fossem validas as noções "identidade
nacional brasileira" e “Democracia
racial” – nos empurradas goela abaixo – que não temos preconceitos,
que no Brasil não tem racismo. Validado isto, seria fácil
desmantelar e rebater qualquer argumento favorável às cotas, simples
e prático.
Mas como tal asseveração, muito pelo contrário, pode
ser facilmente refutada, temos um dilema, aliás, um conflito de interesses. Pode-se até debater com a colunista
quanto ao não "cientificismo das raças", pois, somos todos humanos. A
categoria raça está ligada a similitudes étnicas, culturais antropológicas,
fenotípicas, que se desdobram em conceituações amarradas no espaço e no tempo e pela derivações dos aspectos políticos e sociais.. Entretanto,
se a professora puder negar que o argumento “científico” serviu (e por vezes
até continua a servir) para justificar a privação da liberdade e dignidade
humana, com o simples argumento
da cor ( diferenças físicas) e da "inferioridade"/diferença cultural,
ficaria satisfeito.
Nossa identidade cultural foi forjada num
contexto de “aculturação” dos povos que formaram nosso país. Nos foi passado à
imagem de um povo amalgamo e miscigenado com oportunidades e direitos iguais
para todos (detalhe interessante é que se somos todos humanos como haver
mistura/miscigenação? este dois conceitos partem do pressuposto que existem,
pelo menos, duas "coisas" diferentes que se tornam uma). Esta falsa
noção da "democracia racial", produz imagem e reflexo que nos força ao erro de
acharmos que realmente a equidade reina na terra de Vera Cruz, quando na
verdade acontece o oposto.
Quanto ao nível de competência, a força para competir e os
"parametros iguais" fica ao cargo da “meritocracia” brasileira – a
burguesa e excludente acentuada nos anos do PSDB e a reparadora, lenta e ainda
enigmática do PT, só para lembrar a historia recente.
Qualquer ser humano – sem nenhuma lesão orgânica mental e em plena faculdade intelectual – é capaz de "competir" (apesar de não ser a melhor palavra para ser usada) intelectualmente com outro, uma vez dado o pressuposto que os dois tiveram o mesmo ensino/oportunidade de conhecimento - fora é claro as grandes exceções exaustivamente divulgadas pela grande mídia, defensora do ideal da "democracia racial" brasileira, que sempre faz questão de anunciar coisas do tipo: aluno de baixa renda, estudante de escola publica passa em primeiro lugar na FUVEST. Nesta linha, Se for possível negar que o ensino publico é totalmente deficitário em relação ao privado, realmente não há o que argumentar, caso contrário por que quem teve a melhor educação não concorrer apenas com seus “iguais” para o ingresso no ensino superior?
Como entrar na faculdade fazer parte da elite intelectual? A resposta do presidente (FHC), da professora e de alguns que comentaram é rápida: sem competência não entra na faculdade, se não entrou é porque não está capacitado, não teve capacidade para competir. Foucault diz que “verdade é poder”, ressalta ainda, que a “verdade” é construída nas bases intelectuais e principalmente na Academia. Como os negros irão mostrar e corroborar sua capacidade estando em grande maioria distante do universo acadêmico, sem contar que neste "mundo globalizado" e "mercado de trabalho competitivo" se faz a cada dia mais necessário a tão famosa e impulsionadora Educação. Como passar pelos vestibulares, verdadeiros funis sociais, com uma educação pública básica - frequentada em sua esmagadora maioria por negros/probres e pobres - tão ruim e precária, para não usar outras palavras?
Qualquer ser humano – sem nenhuma lesão orgânica mental e em plena faculdade intelectual – é capaz de "competir" (apesar de não ser a melhor palavra para ser usada) intelectualmente com outro, uma vez dado o pressuposto que os dois tiveram o mesmo ensino/oportunidade de conhecimento - fora é claro as grandes exceções exaustivamente divulgadas pela grande mídia, defensora do ideal da "democracia racial" brasileira, que sempre faz questão de anunciar coisas do tipo: aluno de baixa renda, estudante de escola publica passa em primeiro lugar na FUVEST. Nesta linha, Se for possível negar que o ensino publico é totalmente deficitário em relação ao privado, realmente não há o que argumentar, caso contrário por que quem teve a melhor educação não concorrer apenas com seus “iguais” para o ingresso no ensino superior?
Como entrar na faculdade fazer parte da elite intelectual? A resposta do presidente (FHC), da professora e de alguns que comentaram é rápida: sem competência não entra na faculdade, se não entrou é porque não está capacitado, não teve capacidade para competir. Foucault diz que “verdade é poder”, ressalta ainda, que a “verdade” é construída nas bases intelectuais e principalmente na Academia. Como os negros irão mostrar e corroborar sua capacidade estando em grande maioria distante do universo acadêmico, sem contar que neste "mundo globalizado" e "mercado de trabalho competitivo" se faz a cada dia mais necessário a tão famosa e impulsionadora Educação. Como passar pelos vestibulares, verdadeiros funis sociais, com uma educação pública básica - frequentada em sua esmagadora maioria por negros/probres e pobres - tão ruim e precária, para não usar outras palavras?
Acho correto alguns negros se encherem de brios e rebaterem as cotas,
mas é só olhar para os índices sociais/raciais (desemprego, diferença
salarial, valorização da mulher negra, a relação entre negros/pobres…etc. e
etc.) que a meu ver "este orgulho" – no sentido total da palavra – cairá por
terra.
O preconceito no Brasil tem suas características muito particulares. A discriminação, no Brasil, nasce base da “marca” (cor), se acentua na origem e se perpetua, através de um racismo tácito, na estrutura classe/raça.
O preconceito no Brasil tem suas características muito particulares. A discriminação, no Brasil, nasce base da “marca” (cor), se acentua na origem e se perpetua, através de um racismo tácito, na estrutura classe/raça.
Em tempo: todos os dados apontam que os cotistas, uma vez na
universidade, têm rendimento igual ou superior aos não cotistas.
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