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domingo, 2 de novembro de 2014

Racismo

A ignorância ou preguiça conveniente 


O pensamento indigente e alienado sobre o racismo no Brasil, não é apenas falta de conhecimento, é uma zona de conforto onde a maioria dos que dizem não ter preconceito residem e não querem sair ou ultrapassar. É a ignorância ou preguiça conveniente de quem quer manter privilégios. É fácil notar, pois mesmo com todos os dados escancarados que demostram a desigualdade seja de oportunidades ou de equiparação social (status), econômica (salários) e política (participação), continuam a repetir o discurso dissimulado e cínico do mito da “democracia racial”.

domingo, 12 de outubro de 2014


Educação é privilégio!






         Um amigo me sugeriu uma análise dos dados da tabela acima.
      Digo que encaro sem surpresa e sem espanto. Se formos olhar o retrospecto histórico da educação no Brasil veremos que ela é um privilégio, e como tal, na medida direta em que vai se especializando maior é a dificuldade para a progressão das classes menos favorecidas. Neste sentido, é notório a ojeriza também direta em relação ao PT (e a esquerda em geral) na proporção da situação financeira dos indivíduos – historicamente que ganha mais vota na direita.
        A diferença se acentua, sem surpresa, no ensino superior. É talvez aí o ponto de pressão mais perceptível da pesquisa (positiva ou negativamente, para que vai endossa-la ou refuta-la).
       A universidade é um privilégio, pública então muito mais. Mesmo com a expansão promovida pelos governos do Partido dos Trabalhadores, tanto na rede pública quanto na privada (criação de universidades e FIES por exemplo) notoriamente o panorama das universidades é elitista. O ensino superior no Brasil surge como solução para falta de médicos e não por isso exatamente, surge quando da vinda da Coroa Portuguesa em 1808, ou seja, para atender uma demanda específica de uma determinada classe.
        Em todo o século XX esta situação não mudou de quadro, muito pelo contrário, apenas fortaleceu os mecanismos de dominação de uma pequena parcela da sociedade sobre a grande maioria.            Hoje ainda não é diferente, apesar de termos uma reconfiguração em curso, seja pela expansão e/ou pela política de cotas (sejam raciais ou sociais) no ensino superior. No entanto os resultados ainda estão por vir e é nítido que os privilegiados não querem perder seu quinhão.
         Não tenho dados de pesquisa de outras eleições sobre este tema, mas arrisco dizer que o número de votantes no PT, que tem ensino superior, deve ter aumentado. E ainda, no sentido que discorri acima, esta pesquisa para ser realmente informativa e elucidativa deveria estar cruzando dados com a perspectiva de renda dos indivíduos. Mas esperar isso do G1 já é demais...rs
       Sobre a pesquisa, não sei qual metodologia foi usada, mas ela traz de forma alegórica e tendenciosa (como é de feitio global) uma “média”, para demonstrar a superioridade numérica do candidato tucano. É público e notório que o número de pessoas que não cursam o ensino superior no Brasil é infinitamente maior do que os que estão na graduação. Desta forma há uma inflação da realidade favoravelmente ao ex-governador mineiro.

domingo, 30 de março de 2014

Movimento estudantil



A “POVOTORIA”

Márcio Coelho*
             O movimento não saiu da torre, entrou para sua história.

O Estado Democrático de Direito tem entre suas premissas básicas a cidadania transpassada pela livre atuação política. Neste contexto, diferente de tempos atrás, política e cidadania se insere e se discute sim.
 A consolidação da Democracia, e, por conseguinte dos direitos civis, políticos e sociais para todos(as), ou seja a cidadania, é cada vez mais é posta em cheque. Exemplo disso é a necessidade urgente de reconfiguração das Universidades Públicas, para que possam, entre outras demandas, catalisar os avanços promovidos pelas políticas de reserva de vagas no ensino superior.
A atual lógica de inserção/inclusão dos pobres, índios e negros  nas universidades trás consigo uma nova complexidade cultural e social, que só pode ser absorvida, entendida e atendida pelas instituições através de reformulações estruturais, análises socioeconômicas e políticas sociais efetivas.
É nesta perspectiva que uma política de ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL – que surge de uma das dimensões da cidadania, dos direitos sociais para ser mais exato – se torna tão importante para a eficácia e eficiência das medidas de inclusão dos grupos que em outros tempos não faziam parte do reino da intelectualidade.
A permanência dos “hipossuficientes financeiramente”, nomenclatura rica e sofisticada para apontar os pobres, só pode ser concretizada através de uma série de ações complementares e intersetoriais - que acontecem precariamente ou não acontecem na Universidade Estadual de Santa Cruz. É neste viés que o exercício da cidadania e a mobilização política são necessários, para que haja a devida pressão e assim se expresse claramente a urgência de ações que garantam o direito à Educação.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Brasil e políticas púbilcas

A "identidade" nacional...



 
 Imagem: http://wellblog-observador.blogspot.com/2009/12/o-brasil-esta-sendo-loteado-enquanto.html
     

E parece que a polêmica das cotas não chega ao fim, estava navegando pela pagina do G1 e vi a coluna da professora Yvone Maggie(clique aqui para ler). O texto nas entrelinhas criticas as cotas e para variar recebeu diversos comentários polêmicos. Transcrevo aqui minha opinião a respeito do texto e das cotas, ainda que superficialmente. Fiz algumas modificações, no comentário original, para a contextualização ficar mais inteligível.

      As asseverações da cisão/divisão da sociedade racialmente por causa desta politica de afirmação social; e que as cotas são a afirmação que o negro não teria condições de competir “em igualdade de direitos e condições”  (como disse alguns leitores que comentaram no referido site), só seriam factíveis se fossem validas as noções "identidade nacional brasileira" e “Democracia racial” – nos empurradas goela abaixo – que não temos preconceitos, que no Brasil não tem racismo. Validado isto, seria fácil desmantelar e rebater qualquer argumento favorável às cotas, simples e prático.
     Mas como tal asseveração, muito pelo contrário, pode ser facilmente refutada, temos um dilema, aliás, um conflito de interesses. Pode-se até debater com a colunista quanto ao não "cientificismo das raças", pois, somos todos humanos. A categoria raça está ligada a similitudes étnicas, culturais antropológicas, fenotípicas, que se desdobram em conceituações amarradas no espaço e no tempo e pela derivações dos aspectos políticos e sociais..  Entretanto, se a professora puder negar que o argumento “científico” serviu (e por vezes até continua a servir) para justificar a privação da liberdade e dignidade humana, com o simples argumento da cor ( diferenças físicas) e da "inferioridade"/diferença cultural, ficaria satisfeito.
     Nossa identidade cultural foi forjada num contexto de “aculturação” dos povos que formaram nosso país. Nos foi passado à imagem de um povo amalgamo e miscigenado com oportunidades e direitos iguais para todos (detalhe interessante é que se somos todos humanos como haver mistura/miscigenação? este dois conceitos partem do pressuposto que existem, pelo menos, duas "coisas" diferentes que se tornam uma). Esta falsa noção da "democracia racial", produz imagem e reflexo que nos força ao erro de acharmos que realmente a equidade reina na terra de Vera Cruz, quando na verdade acontece o oposto.