Educação é privilégio!
Um amigo me sugeriu uma análise dos dados da tabela acima.
Digo que encaro sem surpresa e sem espanto. Se formos olhar o retrospecto histórico da
educação no Brasil veremos que ela é um privilégio, e como tal, na medida
direta em que vai se especializando maior é a dificuldade para a progressão das
classes menos favorecidas. Neste sentido, é notório a ojeriza também direta em
relação ao PT (e a esquerda em geral) na proporção da situação financeira dos indivíduos
– historicamente que ganha mais vota na direita.
A diferença se acentua, sem surpresa, no ensino superior. É
talvez aí o ponto de pressão mais perceptível da pesquisa (positiva ou
negativamente, para que vai endossa-la ou refuta-la).
A universidade é um
privilégio, pública então muito mais. Mesmo com a expansão promovida pelos
governos do Partido dos Trabalhadores, tanto na rede pública quanto na privada
(criação de universidades e FIES por exemplo) notoriamente o panorama das
universidades é elitista. O ensino superior no Brasil surge como solução para
falta de médicos e não por isso exatamente, surge quando da vinda da Coroa
Portuguesa em 1808, ou seja, para atender uma demanda específica de uma determinada
classe.
Em todo o século XX esta situação não mudou de quadro,
muito pelo contrário, apenas fortaleceu os mecanismos de dominação de uma pequena
parcela da sociedade sobre a grande maioria. Hoje ainda não é diferente, apesar
de termos uma reconfiguração em curso, seja pela expansão e/ou pela política de
cotas (sejam raciais ou sociais) no ensino superior. No entanto os resultados ainda
estão por vir e é nítido que os privilegiados não querem perder seu quinhão.
Não tenho dados de pesquisa de outras eleições sobre este
tema, mas arrisco dizer que o número de votantes no PT, que tem ensino
superior, deve ter aumentado. E ainda, no sentido que discorri acima, esta
pesquisa para ser realmente informativa e elucidativa deveria estar cruzando
dados com a perspectiva de renda dos indivíduos. Mas esperar isso do G1 já é
demais...rs
Sobre a pesquisa, não sei qual metodologia foi usada, mas
ela traz de forma alegórica e tendenciosa (como é de feitio global) uma “média”,
para demonstrar a superioridade numérica do candidato tucano. É público e notório
que o número de pessoas que não cursam o ensino superior no Brasil é infinitamente
maior do que os que estão na graduação. Desta forma há uma inflação da realidade
favoravelmente ao ex-governador mineiro.