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domingo, 12 de outubro de 2014


Educação é privilégio!






         Um amigo me sugeriu uma análise dos dados da tabela acima.
      Digo que encaro sem surpresa e sem espanto. Se formos olhar o retrospecto histórico da educação no Brasil veremos que ela é um privilégio, e como tal, na medida direta em que vai se especializando maior é a dificuldade para a progressão das classes menos favorecidas. Neste sentido, é notório a ojeriza também direta em relação ao PT (e a esquerda em geral) na proporção da situação financeira dos indivíduos – historicamente que ganha mais vota na direita.
        A diferença se acentua, sem surpresa, no ensino superior. É talvez aí o ponto de pressão mais perceptível da pesquisa (positiva ou negativamente, para que vai endossa-la ou refuta-la).
       A universidade é um privilégio, pública então muito mais. Mesmo com a expansão promovida pelos governos do Partido dos Trabalhadores, tanto na rede pública quanto na privada (criação de universidades e FIES por exemplo) notoriamente o panorama das universidades é elitista. O ensino superior no Brasil surge como solução para falta de médicos e não por isso exatamente, surge quando da vinda da Coroa Portuguesa em 1808, ou seja, para atender uma demanda específica de uma determinada classe.
        Em todo o século XX esta situação não mudou de quadro, muito pelo contrário, apenas fortaleceu os mecanismos de dominação de uma pequena parcela da sociedade sobre a grande maioria.            Hoje ainda não é diferente, apesar de termos uma reconfiguração em curso, seja pela expansão e/ou pela política de cotas (sejam raciais ou sociais) no ensino superior. No entanto os resultados ainda estão por vir e é nítido que os privilegiados não querem perder seu quinhão.
         Não tenho dados de pesquisa de outras eleições sobre este tema, mas arrisco dizer que o número de votantes no PT, que tem ensino superior, deve ter aumentado. E ainda, no sentido que discorri acima, esta pesquisa para ser realmente informativa e elucidativa deveria estar cruzando dados com a perspectiva de renda dos indivíduos. Mas esperar isso do G1 já é demais...rs
       Sobre a pesquisa, não sei qual metodologia foi usada, mas ela traz de forma alegórica e tendenciosa (como é de feitio global) uma “média”, para demonstrar a superioridade numérica do candidato tucano. É público e notório que o número de pessoas que não cursam o ensino superior no Brasil é infinitamente maior do que os que estão na graduação. Desta forma há uma inflação da realidade favoravelmente ao ex-governador mineiro.

sábado, 27 de setembro de 2014

Eleição

 Exercício paradoxal 



             A crítica pela crítica se não tiver o teor de questionamento filosófico em sua essência sempre fica aquém da realidade. Sempre digo, e ultimamente tenho repetido exaustivamente que o PT merece críticas extremas.
Mas esquecer quem são os principais norteadores da atual "crítica" aos governos do partido dos trabalhadores é um ato de indigência política e para alguns um exercício paradoxal dos mais complexos.
Achar que a mídia: protege o partido de Lula; dissimula sem intenção os discursos da mandatária/candidata do país; que falsifica pesquisas para beneficiar sua reeleição; que não tem um(a) candidato preferido; não prefere o sistema neoliberal “puro sangue”; que é contra ascensão da classe pobre, de maioria negra; não entende que a elite brasileira quer viver na Europa. É um tanto ingênuo ou maldoso.
Alguns eleitores e comentadores de última hora confundem tudo, desde manipulação midiática até a teoria reversa da conspiração. Muita calma nessa hora! Não podemos esquecer a história política do país e as artimanhas já usadas por estes mesmo atores do setor de comunicação. 
Não perceber os contrassensos de alguns candidatos é ignorância sobre a política econômica e a história recente do país. Estamos falando do futuro da população. Sejamos responsáveis, não se trata apenas de brigas de "pequenos burgueses" pelo facebook.

domingo, 10 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos crespos e a mídia brasileira - Parte I.


Foi e é árdua a luta dos movimentos negros pelos direitos de cidadania e identidade, colocando-se nessa última o pacote de suas orientações religiosas/religiosidade até a aceitação da estética negra como sinônimo, também, de beleza.
Caso interessante perpassa atualmente pela estética negra. Nos últimos anos a afirmação dos cabelos crespos, encaracolados ou black powers vem crescendo vertiginosamente, em proporção direta ao número de artistas que agora ostenta a cabeleira “natural”. É preciso ressaltar que esta é uma luta de anos do movimento negro, mas que só foi abarcada pela população graças a mídia televisiva.
Dos poderes imperativos que conformam a mídia brasileira (principalmente o canal do "plim plim") alguns perderam força, outros no entanto se robusteceram ainda mais pela ótica multiculturalista, a dizer principalmente no que tange as tendências da moda. 
Para muitos a influência da mídia na vida das pessoas é quase inócua e que as superfinanciadas novelas nada tem a ver com a população e suas predileções seja politicas, identitárias e etc. Sem querer entrar no maniqueísmo de sua função social, vemos e sentimos no dia-a-dia as reverberações das novelas que atualmente ocupam praticamente a grade de programação inteira da emissora com maior audiência do país.
A assunção dos cabelos crespos principalmente no caso das mulheres, parcela que mais diretamente é pressionada pela padronização caucasiana do corpo, é um ato de empoderamento que em todos os casos deve ser celebrado.

Entretanto, além obviamente de ser um fenômeno interessante, principalmente, para os negros, também demonstra a força tanto de assimilação quanto de manipulação da mídia “tradicional” em relação as demandas da sociedade. É notório que este fenômeno se popularizou a partir do surgimento na televisão de sujeitos empoderados ou não com os “cabelos assumidos”.
Explico mais uma vez que não é uma orientação que surgiu do nada, como disse acima, o Movimento Negro (e também de mulheres) lutou e luta pela aceitação de sua "liberdade estética" pela sociedade. Neste caso o que é temerário é cooptação da demanda histórica, que na verdade sempre teve um caráter no mínimo triplo, seja o propriamente estético, mas também, e da mesma forma importante, cultural e político. 
No viés que se manifesta os “cachos”, em grande parte dos casos, privilegia-se apenas o lado estético, que é de todas as formas importante, mas não suficiente. É necessário o fortalecimento multidimensional da identidade negra numa ótica de reconhecimento do sujeito negro e a contestação da concretude de subordinação que ainda se mantém, e em outros aspecto, como pensa Frantz Fanon, da liberdade de escolha e opções estéticas/politicas enquanto ser humano.  

Num país onde impera um racismo estrutural e tácito, é importante o posicionamento estético dos negros, mas também é necessária a politização e conscientização do cenário racista em que estamos inseridos. Não podemos nos afundar ainda mais nas garras dos simulacros de identidade que transfiguram uma demanda legítima em apenas mais um item de consumo. O vínculo com a realidade deve ser peça viva em detrimento do que Baudrillard vai chamar de hiper-realidade (simulacros de simulacros onde a ação não mais tem a ver com o sujeito ou objeto em si, é apenas encenação vazia). Um perigo concreto que vivemos, ainda mais com a cooptação de pautas de movimentos sociais, sejam clássicos ou novos.