quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Educação e cidadania

EDUCAÇÃO, DIREITOS E CIDADANIA – PARTE 1


Mais um ano do século XXI e a educação continua, assim como no século passado, como uma das promessas mais consolidadas para a “evolução” do ser humano e para tão sonhada mobilidade social. Nestes casos, seja numa ótica realista ou otimista vale lembrar o mestre Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.”
A premissa, tendo esta como verdadeira, de educação como lastro para um projeto de uma sociedade melhor, mais justa e igualitária passa por uma ressignificação da cultura escolar e da ação educativa, no entendimento de uma escola democrática, que alie os direitos humanos as diferentes dimensões programáticas do currículo escolar. No entanto, em primeiro lugar é necessário compreender que diferente do que é anunciado a escola não serve para nivelar as desigualdades e menos ainda gerar oportunidades similares para os indivíduos, aliás,  muito pelo contrário. A escola, pública principalmente, reproduz com notória eficiência as discrepâncias, preconceitos, exclusões/opressões, entraves estruturais e contradições da sociedade. Demonstrando inclusive as limitações do Estado como impulsionador do desenvolvimento social, ou ainda indicando sua função como agente limitante.
Se de um lado temos os mecanismos democráticos fundados no dito Estado Democrático de Direito Brasileiro, por outro o cerceamento subliminar e mesmo liminar para utilização destes instrumentos começa pela prática escolar, que em sua esmagadora maioria está totalmente dissonante da realidade social ou mesmo desligada desta.

domingo, 16 de novembro de 2014

Machismo

A rapariga, o cavaleiro e a Santa Cruz.


"Era uma tarde fagueira, como outra qualquer no reino de Santa Cruz, o calor desconfortável se explicava pelas nuvens plúmbicas que majoravam a umidade como de costume. Ainda assim, a temática da palestra era importante, vamos tê-la.
Infelizmente, para a surpresa de todos, a cena principal não se fez com os ministrantes, mas o episódio senhoras e senhores, é verdade, tenho o desprazer de narrar:
Senhorita negra, trajada com turbante, foi rispidamente segurada pelo braço, por um senhor que se disse professor. Logo depois recebe a afirmativa que:
- És “linda”...
Ainda estupefata pelo gesto arrogante e agressivo, recebe outra intenta:
-Está aqui meu cartão.
A mãe da rapariga, que está no mesmo recinto, adverte o “potentado”:
- Estou aqui! - Ele não titubeia.
- Tome também o meu cartão.
O CAVALEIRO “galanteador” se regozija e prossegue sua jornada, entendendo como é costumeiro da sociedade que a mulher é para ser ‘cuidada’, e a mulher negra, ainda mais, precisa de um bem-feitor que lhe dê amor. "
- Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...ou não!-
***
O que significa este gesto?
Este episódio aconteceu no século XXI?
Quem é esse que não respeita uma mãe?
Que século estamos? Quem são estes CAVALEIROS? - que ignoram a mulher como cidadã e dona de si.
E esse cartão? O que ele quis dizer?
Talvez seria normal se não houvesse uma estrutura de poder coercitiva patriarcal e machista. E como não é o caso, como fica o poder institucionalizado professor/aluna?
...é o cabelo, é o turbante? A altives e identidade?
O quê são ou QUEM as mulheres? São produtos que devemos pegar pelo braço e etiquetar com um cartão? São um produto?
Já é hora de valorizar a nossas mães, irmãs, namoradas, amigas, amantes... todas as MULHERES de nossa vida!

domingo, 2 de novembro de 2014

Racismo

A ignorância ou preguiça conveniente 


O pensamento indigente e alienado sobre o racismo no Brasil, não é apenas falta de conhecimento, é uma zona de conforto onde a maioria dos que dizem não ter preconceito residem e não querem sair ou ultrapassar. É a ignorância ou preguiça conveniente de quem quer manter privilégios. É fácil notar, pois mesmo com todos os dados escancarados que demostram a desigualdade seja de oportunidades ou de equiparação social (status), econômica (salários) e política (participação), continuam a repetir o discurso dissimulado e cínico do mito da “democracia racial”.

domingo, 12 de outubro de 2014


Educação é privilégio!






         Um amigo me sugeriu uma análise dos dados da tabela acima.
      Digo que encaro sem surpresa e sem espanto. Se formos olhar o retrospecto histórico da educação no Brasil veremos que ela é um privilégio, e como tal, na medida direta em que vai se especializando maior é a dificuldade para a progressão das classes menos favorecidas. Neste sentido, é notório a ojeriza também direta em relação ao PT (e a esquerda em geral) na proporção da situação financeira dos indivíduos – historicamente que ganha mais vota na direita.
        A diferença se acentua, sem surpresa, no ensino superior. É talvez aí o ponto de pressão mais perceptível da pesquisa (positiva ou negativamente, para que vai endossa-la ou refuta-la).
       A universidade é um privilégio, pública então muito mais. Mesmo com a expansão promovida pelos governos do Partido dos Trabalhadores, tanto na rede pública quanto na privada (criação de universidades e FIES por exemplo) notoriamente o panorama das universidades é elitista. O ensino superior no Brasil surge como solução para falta de médicos e não por isso exatamente, surge quando da vinda da Coroa Portuguesa em 1808, ou seja, para atender uma demanda específica de uma determinada classe.
        Em todo o século XX esta situação não mudou de quadro, muito pelo contrário, apenas fortaleceu os mecanismos de dominação de uma pequena parcela da sociedade sobre a grande maioria.            Hoje ainda não é diferente, apesar de termos uma reconfiguração em curso, seja pela expansão e/ou pela política de cotas (sejam raciais ou sociais) no ensino superior. No entanto os resultados ainda estão por vir e é nítido que os privilegiados não querem perder seu quinhão.
         Não tenho dados de pesquisa de outras eleições sobre este tema, mas arrisco dizer que o número de votantes no PT, que tem ensino superior, deve ter aumentado. E ainda, no sentido que discorri acima, esta pesquisa para ser realmente informativa e elucidativa deveria estar cruzando dados com a perspectiva de renda dos indivíduos. Mas esperar isso do G1 já é demais...rs
       Sobre a pesquisa, não sei qual metodologia foi usada, mas ela traz de forma alegórica e tendenciosa (como é de feitio global) uma “média”, para demonstrar a superioridade numérica do candidato tucano. É público e notório que o número de pessoas que não cursam o ensino superior no Brasil é infinitamente maior do que os que estão na graduação. Desta forma há uma inflação da realidade favoravelmente ao ex-governador mineiro.

sábado, 4 de outubro de 2014

Política e eleição

Melhor Que Números

         
         É triste ver alguns colegas, até mesmo da época da escola que vivemos com dificuldades, com ideias reacionárias, mesquinhas e pequenas em relação à política do país. Principalmente, e não apenas, pelo ciclo virtuoso de crescimento e desenvolvimento do país que presenciaram e se beneficiaram, mas, e muito mais pela falta de informação; preguiça de se informar corretamente; pela credulidade ingênua de informações tendenciosas; ou ainda pela má fé em seus posicionamentos. A discordância deve ser respeitada e é essencial em uma sociedade democrática, mas a negação pela negação é preocupante, assim como a desinformação e divulgação irresponsável de factoides.
       Acho que um exercício interessante seria parar, olhar para si e para o lado e ver a situação em que está e a que o país se encontra hoje. Depois se informar sobre o que é política de Estado e política de governo. Entender que muitas são as obrigações da administração pública (neste caso diretamente o poder executivo) guardadas pela nossa constituição e demais legislações infraconstitucionais. Entender sim, que nenhuma ação do Estado/governo deixa de ser uma obrigação, até por que o agente público só faz aquilo a lei lhe permite (política de Estado). No entanto, prioridades são elencadas de governo para governo; o gerenciamento de crises financeiras (nacional ou internacional) da mesma forma; endurecimento no combate a corrupção também. Assim as obrigações, postas em nossa Constituição, que não são expressamente regulamentadas, são norteadas pelas ideias e programas do partido que está no PODER.

sábado, 27 de setembro de 2014

Eleição

 Exercício paradoxal 



             A crítica pela crítica se não tiver o teor de questionamento filosófico em sua essência sempre fica aquém da realidade. Sempre digo, e ultimamente tenho repetido exaustivamente que o PT merece críticas extremas.
Mas esquecer quem são os principais norteadores da atual "crítica" aos governos do partido dos trabalhadores é um ato de indigência política e para alguns um exercício paradoxal dos mais complexos.
Achar que a mídia: protege o partido de Lula; dissimula sem intenção os discursos da mandatária/candidata do país; que falsifica pesquisas para beneficiar sua reeleição; que não tem um(a) candidato preferido; não prefere o sistema neoliberal “puro sangue”; que é contra ascensão da classe pobre, de maioria negra; não entende que a elite brasileira quer viver na Europa. É um tanto ingênuo ou maldoso.
Alguns eleitores e comentadores de última hora confundem tudo, desde manipulação midiática até a teoria reversa da conspiração. Muita calma nessa hora! Não podemos esquecer a história política do país e as artimanhas já usadas por estes mesmo atores do setor de comunicação. 
Não perceber os contrassensos de alguns candidatos é ignorância sobre a política econômica e a história recente do país. Estamos falando do futuro da população. Sejamos responsáveis, não se trata apenas de brigas de "pequenos burgueses" pelo facebook.

domingo, 31 de agosto de 2014

Eleição

O voto útil, estamos no Big brother?
Fonte:https://www.facebook.com/vitortegom/photos/a.232922050183626.1073741828.232492200226611/438676949608134/?type=1&theater

A analogia se justifica não pela trajetória histórica do reality show e/ou campanhas políticas, mas pelo apelo anti-petista e personalista esvaziado do componente crítico, influenciado por uma boa parcela da mídia nativa.
Não penso, não digo que o PT não mereça críticas, muito pelo contrário. Mas comparar a perspectiva de mudanças da trajetória da vitória de 2002, mesmo com as mudanças programáticas que o PT já apontava na época, com a eleição de agora é um pouco sem sentido e anacrônico. O posicionamento político é importante tanto para negar ou para afirmar algo. Mas, não sei até onde tenha utilidade a falta de reconhecimento da realidade social que o país atravessa hoje: temos avanços e estes são frutos de posicionamentos políticos, desde as políticas de redistribuição de renda até um arrefecimento na ordem neoliberal.
Concordo ampla e plenamente que a alienação é dos principais componentes da política, não apenas aqui no Brasil, mas em qualquer país do mundo. De outra forma, por mais que haja a percepção que a “vida” melhorou, existe um ideário onde imperam apenas críticas e que todas as mazelas que existem no Brasil foram iniciadas em 2002.

Conscientização é necessária, ou pelo menos o mínimo de cuidado nas escolhas. Partir como manada em uma direção a esmo é de todas as formas complicado (por vezes acontece mesmo com os militantes “iluminados” ditos de “esquerda"). Acredito que precisamos de transformações urgentes, no entanto, neste caso, diferente de 2002, existe um sentimento retrógrado e revanchista que está encravado neste discurso de “mudança”. Este discurso na verdade esconde e dissimula uma política "neoliberal puro sangue" que tantos prejuízos trouxe para o Brasil nos anos 90 e hoje assola a Europa.