sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos Crespos e a mídia brasileira – parte 2.

A lógica midiática, oportunista e dissimuladamente racista em sua estrutura, tem como resultado por um lado o sujeito negro emulando a estética apresentada na televisão (cabelos, vestimentas, gírias e etc.). Mas por outro, não apresenta negros (com estes atributos estéticos) em posições de destaque seja em sua programação geral e/ou nas tramas dramatúrgicas – com exceção de ser como o vilão/assaltante/favelado e como a empregada/domestica que é “quase da família”.
São décadas de denúncias a respeito dos insistentes, constantes e repetidos personagens com posições subalternas e/ou marginais nas tramas das novelas. Ainda assim, pouquíssimas são as mudanças neste cenário.
    A referenciação quanto a “bons exemplos” poderia – mesmo que superficialmente, já que funciona em termos estéticos – abrir concorrência ao mundo do crime, bem como alargar os horizontes para a educação. Nesta perspectiva, para os jovens, ver negros como protagonistas com profissões alçadas pela escola/educação (professores, advogados, médicos, engenheiros e etc.) e não apenas jogadores de futebol ou modelos – nada essencialmente contra estes profissionais – seria importante tanto para resistir ao assédio do crime, como ao desinteresse pelos estudos. 
Esta sempre foi uma demanda importante e agora, com esta geração cada vez mais imagética, se torna ainda mais primordial. Alguns podem dizer que tal demanda não representaria a realidade social, argumento totalmente impróprio. Existem negros em posição de destaque em nossa sociedade, infelizmente graças a nossa estrutura, em menor proporção e com salários mais baixos que os brancos, mas existem. E só não existem mais, pelo nosso racismo estrutural. Em contrapartida, desde quando as peças novelescas globais estão atreladas a realidade? Encontrar verossimilhança nas novelas é um trabalho de garimpo, nos dias atuais, em serra pelada.
Vivenciamos a tergiversação dessa e de outras demandas há muito elencadas pelo movimento negro em relação a mídia, principalmente a televisiva. Ao mesmo tempo, consoante com isso, o que acontece é o fortalecimento cada vez maior dos estereótipos raciais a exemplo do recém lançado programa "sexo e as nega".(Continue lendo...)

domingo, 10 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos crespos e a mídia brasileira - Parte I.


Foi e é árdua a luta dos movimentos negros pelos direitos de cidadania e identidade, colocando-se nessa última o pacote de suas orientações religiosas/religiosidade até a aceitação da estética negra como sinônimo, também, de beleza.
Caso interessante perpassa atualmente pela estética negra. Nos últimos anos a afirmação dos cabelos crespos, encaracolados ou black powers vem crescendo vertiginosamente, em proporção direta ao número de artistas que agora ostenta a cabeleira “natural”. É preciso ressaltar que esta é uma luta de anos do movimento negro, mas que só foi abarcada pela população graças a mídia televisiva.
Dos poderes imperativos que conformam a mídia brasileira (principalmente o canal do "plim plim") alguns perderam força, outros no entanto se robusteceram ainda mais pela ótica multiculturalista, a dizer principalmente no que tange as tendências da moda. 
Para muitos a influência da mídia na vida das pessoas é quase inócua e que as superfinanciadas novelas nada tem a ver com a população e suas predileções seja politicas, identitárias e etc. Sem querer entrar no maniqueísmo de sua função social, vemos e sentimos no dia-a-dia as reverberações das novelas que atualmente ocupam praticamente a grade de programação inteira da emissora com maior audiência do país.
A assunção dos cabelos crespos principalmente no caso das mulheres, parcela que mais diretamente é pressionada pela padronização caucasiana do corpo, é um ato de empoderamento que em todos os casos deve ser celebrado.

Entretanto, além obviamente de ser um fenômeno interessante, principalmente, para os negros, também demonstra a força tanto de assimilação quanto de manipulação da mídia “tradicional” em relação as demandas da sociedade. É notório que este fenômeno se popularizou a partir do surgimento na televisão de sujeitos empoderados ou não com os “cabelos assumidos”.
Explico mais uma vez que não é uma orientação que surgiu do nada, como disse acima, o Movimento Negro (e também de mulheres) lutou e luta pela aceitação de sua "liberdade estética" pela sociedade. Neste caso o que é temerário é cooptação da demanda histórica, que na verdade sempre teve um caráter no mínimo triplo, seja o propriamente estético, mas também, e da mesma forma importante, cultural e político. 
No viés que se manifesta os “cachos”, em grande parte dos casos, privilegia-se apenas o lado estético, que é de todas as formas importante, mas não suficiente. É necessário o fortalecimento multidimensional da identidade negra numa ótica de reconhecimento do sujeito negro e a contestação da concretude de subordinação que ainda se mantém, e em outros aspecto, como pensa Frantz Fanon, da liberdade de escolha e opções estéticas/politicas enquanto ser humano.  

Num país onde impera um racismo estrutural e tácito, é importante o posicionamento estético dos negros, mas também é necessária a politização e conscientização do cenário racista em que estamos inseridos. Não podemos nos afundar ainda mais nas garras dos simulacros de identidade que transfiguram uma demanda legítima em apenas mais um item de consumo. O vínculo com a realidade deve ser peça viva em detrimento do que Baudrillard vai chamar de hiper-realidade (simulacros de simulacros onde a ação não mais tem a ver com o sujeito ou objeto em si, é apenas encenação vazia). Um perigo concreto que vivemos, ainda mais com a cooptação de pautas de movimentos sociais, sejam clássicos ou novos. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Racismo


NÃO somos macacos!



É triste constatar a falta de reflexão das pessoas. Seguem em manada atrás de mantras eletrônicos sem perceber a verdadeira dissimulação das palavras que se tornam cicerones de suas ações. 


Mais lamentável ainda é a indignação afetada de indivíduos que fazem parte de um sistema de telecomunicações, racista em toda a sua estrutura e programação, manifestarem sua opinião seletiva. Esta mesma indignação devia ser exasperada quando foram impetradas as ações contra as COTAS, ou para fortalecer luta contra o Genocídio da Juventude Negra. Mas não, por aqui, para estes indivíduos reina a “Democracia Racial”. 

Foi interessante ver a atitude e "presença de espirito" do Daniel Alves. 

Entretanto, triste ver símbolos tão combatidos pelo movimento negro durante todo o século XX, serem revividos de forma tão caquética, numa logica de protesto rarefeito em seu verdadeiro caráter de denúncia e luta por igualdade.

Deprimente, ainda, é a probabilidade de termos intelectuais que defenderão a infame campanha.

Reflexão é essencial para uma opinião crítica, e não apenas uma câmera não mão e uma Hashtag.

"Não existe neutralidade possível: o intelectual deve optar entre o compromisso com os exploradores ou com os explorados”.(Florestan Fernandes)

domingo, 30 de março de 2014

Movimento estudantil



A “POVOTORIA”

Márcio Coelho*
             O movimento não saiu da torre, entrou para sua história.

O Estado Democrático de Direito tem entre suas premissas básicas a cidadania transpassada pela livre atuação política. Neste contexto, diferente de tempos atrás, política e cidadania se insere e se discute sim.
 A consolidação da Democracia, e, por conseguinte dos direitos civis, políticos e sociais para todos(as), ou seja a cidadania, é cada vez mais é posta em cheque. Exemplo disso é a necessidade urgente de reconfiguração das Universidades Públicas, para que possam, entre outras demandas, catalisar os avanços promovidos pelas políticas de reserva de vagas no ensino superior.
A atual lógica de inserção/inclusão dos pobres, índios e negros  nas universidades trás consigo uma nova complexidade cultural e social, que só pode ser absorvida, entendida e atendida pelas instituições através de reformulações estruturais, análises socioeconômicas e políticas sociais efetivas.
É nesta perspectiva que uma política de ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL – que surge de uma das dimensões da cidadania, dos direitos sociais para ser mais exato – se torna tão importante para a eficácia e eficiência das medidas de inclusão dos grupos que em outros tempos não faziam parte do reino da intelectualidade.
A permanência dos “hipossuficientes financeiramente”, nomenclatura rica e sofisticada para apontar os pobres, só pode ser concretizada através de uma série de ações complementares e intersetoriais - que acontecem precariamente ou não acontecem na Universidade Estadual de Santa Cruz. É neste viés que o exercício da cidadania e a mobilização política são necessários, para que haja a devida pressão e assim se expresse claramente a urgência de ações que garantam o direito à Educação.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Burguesia

O cheiro da burguesia



A burguesia, já disse o poeta burguês, fede. 

E nos dias atuais exala, expandi e pulveriza seu odor rancoroso de segregação, racista e fascista. 

Ela é politicamente inapta, economicamente dependente e sem ideias, intelectualmente burra e colonizada. 

Está parcela atrasada, atravanca e aliena o Brasil e os brasileiros há anos. Não consegue enxergar um palmo a frente do nariz empinado - em vários casos graças as cirurgias.

Não aceita que o país seja formado por uma maioria de negros, e por isso se engana e tenta manipular a população baseando-se num Eurocentrismo retrogrado ou “norteamericocentrismo” falido.

De forma absurda, não aceita os aspectos culturais e étnicos da população brasileira - vide novelas, telejornais, series e etc.

Esta mesma elite – ela se acha liberal ou neoliberal - tem medo da concorrência, só não se sabe o porquê.

500 anos de privilégios não foram suficientes?

Na verdade a elite burguesa não apenas fede. Ela cheira, fuma, bebe, come e faz merda.

A diferença é que as outras classes não podem fazer as mesmas coisas/atitudes.


Aí é coisa de marginal e de pobre - gritam e querem justiça!

Os “playboys” e “patricinhas” que também financiam o crime estão soltos.

Mas caso sejam presos, seus pais lá estarão munidos com os advogados, dinheiro da fiança e/ou mesmo suborno - ainda que este seja simbólico pela pressão da posição social.

A burguesia, já disse o poeta, fede. E nos dias atuais exala, expandi e pulveriza seu odor rancoroso de segregação, racista e fascista.

Dialética, e sim, dialogismo sempre!

sábado, 8 de junho de 2013

Política

ISSO É POLÍTICA?

“O maior castigo para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam". Arnold Toynbee (1889-1975)

              Em tempos de consolidação da Democracia, e por conseguinte, Direitos civis, políticos e sociais (liberdade de expressão, lutas por igualdade, seja social, racial e de gênero)  o termo política é cada vez mais usado - desempenhado destaque em qualquer discussão. O Estado Democrático de Direito tem como premissa básica a cidadania transpassada pela livre atuação política. Neste contexto, diferente de tempos atrás, política se insere e se discute sim, talvez, não da forma "ideal", mas se discute.
             A política abrange-se por todos os campos da humanidade em que é necessária a relação, discussão e organização entre pessoas, bens e direitos - tanto na dimensão cultural quanto social-  que interligados precisam de delimitação e ordem, numa tessitura de conflito, dissenso e/ou consenso dos seus membros, através da persuasão e/ou dissuasão para o alcance de determinados fins. Estas imbricações, de relações sociais, se fazem através da interdependência e sistematização, institucionalizada ou não, nas formas mais diversas de organizações sociais ao longo da história. 
           Qualquer sociedade é inerentemente política, ou ainda, qualquer relação humana é política, o que muda é “modus operandi”, ou seja, são as maneiras que esta política é implementada e/ou usada.
         As diversas culturas que habitam (ou já habitaram) nosso planeta utilizam mecanismos políticos para entender e atender os diversos anseios, demandas e conflitos de seus partícipes. Bobbio (2000) irá ressaltar que:os fins da política são tantos quantas forem as metas a que um grupo organizado se propõe, segundo os tempos e as circunstâncias”. Este mesmo autor estabelecerá uma relação direta entre poder e política, derivando-os em poder econômico, poder ideológico, poder político entre outros, mas ressalta que apenas o político “funda-se sobre a posse dos instrumentos através dos quais se exerce a força física (armas de todo tipo e grau): é o poder coativo no sentido mais estrito da palavra”.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Politica e religião


Direitos humanos, o Estado Laico e a CDHM.





     Diferente da relação histórica entre política e religião, a Declaração Universal dos Direitos Humanos(DUDH) tem uma vida curta. A declaração destes direitos contam com pouco mais de 60 anos - sua ratificação foi assinada em 10 de dezembro de 1948 -, e talvez por isso a garantia do seu cumprimento seja especificamente difícil. O Brasil, por exemplo, deixa de cumprir estes direitos em diversas dimensões, os esforços muitas vezes limitados e pouco articulados, acabam por não serem eficazes para suprir as demandas da multifacetada sociedade em que vivemos. Atualmente esta ineficiência conta com mais um ingrediente que não é novo, mas de todas as formas problemático, e que vem obstando as discussões a respeito do tema em tela, a religião.
O desenvolvimento, articulação e embate das relações entre política (Estado) e religião contam de longa data. Na democracia estas forças tendem a desenvolver-se, pelo menos ideal e teoricamente, em dicotomia . No entanto a consolidação de um Estado laico sempre sofre ataques das intricações e imbricações entre política e religião. Assim, os desdobramentos desta desarmoniosa relação, despencam sobre as diversas temáticas da cidadania e dos Direitos Humanos. 
É neste contexto de não separação, e até mesmo das relações partidárias e seus fisiologismo, de busca por aliados muitas vezes a revelia da ética, que é eleito para presidência da Comissão de Direito Humanos e Minorias(CDHM) - da Câmara de Deputados do país – de acordo com todos os trâmites legais e democráticos, segundo este Poder, um “deputado pastor” ou “pastor deputado”, ligado a uma corrente religiosa protestante, defensor de um discurso fortemente reacionário e contrário a diversas conquistas e/ou demandas elencadas e almejadas pela norteadora Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Esta declaração é defendida e tem sua amplitude intensificada pela sociedade civil organizada, que na atualidade ser articula em diversas frentes (movimento negro, movimento feminista, LGBT, sem terra,  e etc.), seja para afirmação ou conquista de direitos negados, criando uma tessitura complexa de relações entre os diversos entes que compõe a sociedade. Estes movimentos sociais atuais – de minorias ou não -  buscam desde a diminuição das desigualdades e exclusão social, até o reconhecimento de status e/ou identidade, chegando por fim ao exercício de poder da tão sonhada cidadania. Por outro lado, os movimentos ligados a religiões cristãs, nestes casos mais especificamente, ligados ao protestantismo, que nas ultimas décadas teve um vertiginoso crescimento no Brasil, acirram a disputa por espaço  e tentam, da mesma forma que os movimentos citados acima, influenciar na agenda e nas pautas politicas do Estado. >>>>