quarta-feira, 22 de abril de 2015

Política

Sobre a PL 4330, o  bode expiatório e a face de madeira...
“Beberemos
Nesta água nicodemos
Oremos
Pois vamos suar veneno”



Sinceramente aguardo ansioso para ver qual vai ser a desculpa “reboltiva”; teórica; politica; teórica política; de governabilidade (é para rir); de “é menos pior assim”(gargalhemos), “essa mídia é golpista” ...que essa galera cara de pau do PT e da base aliada vai dar para um NÃO VETO, ou para um Veto Parcial da PRESIDENTA caso a PL 4330 passe pelo senado.

A tentativa frustrada de implementação de um “Estado de bem-estar social” com as bases assentadas numa política de conciliação - aliás, tentando conciliar o inconciliável – e principalmente concretizada sobre velhas práticas políticas, de corrupção inclusive, mostrou seu limite e tem que chegar ao fim. Caso contrário não apenas o PT vai pela bancarrota, mas toda a perspectiva de esquerda ficará ainda mais desacreditada.

E não adianta vir mostrar que os deputados de tal partido votaram contra ou a favor. Existe erros e culpas sim! O congresso é conservador e o bode expiatório é o PMDB. Mas existe toda um conjunto de pseudo-expiações covardes para um projeto que acumula a todo dia mais massa falida, e, diga-se de passagem, nunca foi emancipador.

Já ouço os clicks nas páginas do IBGE e do IPEA para demonstrar como foram tiradas pessoas da pobreza e miséria, fantástico! Principalmente para sociais-democratas. Mas é fácil demonstrar as contradições, dos caminhantes, governos do PT. A política neoliberal nunca foi abandonada – tolerável até então pois não se mexia nos direitos dos trabalhadores -; Concessões...privatização com tempo determinado; precarização da educação – a quantidade é verdadeira, mas a qualidade nunca foi prioridade – Mercado financeiro e a liberdade cambial; a farra dos financiamentos para o agronegócio  e etc e etc.

Espero, mais uma vez, sinceramente que haja uma derrota política numa volta da PL para o congresso. A sanção mesmo que parcial – como se desenha – é uma derrota que terá repercussão histórica para os trabalhadores brasileiros.


"Oremos
Pois vamos suar veneno”

domingo, 19 de abril de 2015

Movimento Estudantil

Movimento Estudantil...Sobre Política, dialogo, responsabilidade e respeito.


O problema de se tentar entender a política no movimento estudantil é querer enxerga-la como formas de truísmos. A realidade do movimento - por mais que se tenham afinidades ideológicas - é que existe divisão quanto a implementação das medidas e o processo de “mudança”. Os projetos,sua implementação e operacionalização, em si são diferentes.
É por isso que existe disputa de chapas - disputa de projetos. 
Caso contrário existiria chapa única e todo mundo viveria feliz para sempre.
No entanto as eleições para os DCE’s (aqui em especial da UESC) evidenciam de maneira contundente a multiplicidade de projetos para a política intra-estudantil, que em superficial analise, felizmente ou infelizmente, sempre reproduz, condiz e/ou confluem com organizações partidárias “profissionais”. Sinceramente nada contra.
E nisso se encontra um problema crucial. De nada adianta o discurso que todos devemos ajudar e construir o DCE e blábláblá. 
A principal responsabilidade é de quem assumiu a gestão!
Seria muito interessante a presidenta (Dilma) ficar resmungando que a oposição deve simplesmente ajudar na crise, pois somos todos brasileiros. O microcosmo da universidade reflete diametralmente a realidade do país.
Atenção! Projeto diferente posicionamentos diferentes, esta é a democracia.
Entendo que é extremamente importante (e responsável) não fazer oposição por oposição, acredito que a crítica deve ser um juízo de valor fundamentado.
.
Neste sentido as críticas, pelas disparidades no projeto apresentado na campanha e no fazer político devem ser respeitadas (claro que sempre na perspectiva de garantia de direitos e melhorias).
É de extrema relevância o sentido pragmático de se entender a responsabilidade da implementação do projeto proposto na campanha eleitoral, compreendendo inclusive a necessidade democrática de uma oposição.
O discurso consensual deve ser mantido (no caso da esquerda) – pelo menos para aquele que defendem realmente uma mudança/melhora – para os pontos reivindicação globais que são: moradia estudantil, creche, bolsas, transporte, melhoria da estrutura e etc.
Significativamente esperar que a pluralidade de projetos seja silenciada pela eleição de uma chapa, é simplório, inocente e mesmo ignorante em relação à política e/ou cínico.
Respeito a oposição (que não seja golpista) deve ser horizonte claro para qualquer gestão democrática.
Paremos com o mimimi de que “esse pessoal só quer fazer picunhinha”, “todo mundo tem que ajudar”; “quem constrói a entidade é todo mundo” e etc.
Quem assumiu tem que preparar-se para o bônus e o ônus de estar Gestão. 
Um dos bônus é ter a possibilidade de implementar suas propostas. Um dos ônus é escutar as críticas, pois ninguém agrada todo mundo.
Mas na verdade a relação deve ser dialética e dialógica com a comunidade estudantil. Propor, entender e absorver, e mais uma vez se voltar para as demandas estudantis.

E por isso é necessário respeito para os que NÃO confluem para o "projeto" implementado, assim como o VERSO deve ser verdadeiro.


"E viveram felizes e infelizes para sempre..."

terça-feira, 31 de março de 2015

Racismo estrutural

E a sociedade Brasileira quando vai entrar maioridade mental?

*Marcio Coelho

Complicado entender esta sociedade que afirma reconhecer que o país é desigual, que a educação é precária, diz que a inflação está galopante, que é contra o bolsa família (programa que garante a permanência do jovem na escola), que não existe emprego, que a televisão tem programas ruins, que deve-se investir em oportunidades e etc...e etc. Mas apoia de forma peremptória a redução da maioridade penal...Vamos jogar o ônus de todos este desequilíbrios sociais no adolescente? Vai entender!

Alguns dizem que o código penal é ultrapassado, foi promulgado no final da década de 40 e essa sociedade era diferente e os jovens daquela época também o eram... concordo plenamente!

Realmente na década de 40 você não tinha mais de 50 milhões de jovens no país, aproximadamente 21 milhões de adolescentes; você não tinha um sistema de comunicação sólido, abrangente e extremamente eficaz em distribuir sua grade programação alienante, vazia e superficial; você não tinha (e realmente não tinha em termos numéricos) uma escola com falsas promessas para mobilidade social,  escolas que não conseguem dar conta do contexto e realidade social de seus alunos, que em sua maioria são jovens brasileiros que se encontram em situação vulnerabilidade social.

E neste sentido infelizmente é fácil constatar que O MAIOR PERIGO NO BRASIL É SER NEGRO, POBRE E JOVEM, vale dizer que “a cada 25 minutos morre um jovem negro e pobre no Brasil, vítima da violência. Ou seja, são aproximadamente dois jovens negros mortos por hora, 48 por dia, 336 mortos por semana, 1344 mortos por mês. Esse é um número igual ou maior que o de muitas guerras que acontecem pelo mundo”(dados da Anistia Internacional).

Muitos ainda, subsidiados pelos mitos do senso comum ou do discurso parcial, tendencioso, leviano de grande parte da nossa imprensa televisa e/ou impressa afirmam que alguma coisa tem que ser feita, pois são muitos os crimes realizados por indivíduos considerados menores de idade. Entretanto, segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) os menores são responsáveis por 0,9% do total dos crimes no país. Se analisarmos apenas homicídios e tentativas de homicídio, o percentual cai para 0,5%. A UNICEF aponta que 0,01% dos adolescentes cometeram crime contra a vida.
Sem contar que quem vai preso no Brasil é preto e pobre. Os dados, do “MAPA DO ENCARCERAMENTO- Juventude encarcerada”, apontam que em 2012 eram 295,242 mil negros encarcerados, mais de 50% da população carcerária. E ainda: "Em 2012, para cada grupo de 100 mil habitantes brancos acima de 18 anos havia 191 brancos encarcerados, enquanto para cada grupo de 100 mil habitantes negros acima de 18 anos havia 292 negros encarcerados, ou seja, proporcionalmente o encarceramento de negros foi 1,5 vez maior do que o de brancos em 2012." O número de jovens também é alarmante são 266.356, dados de 2012, ou seja mais de 50% dos presos.

Se tentarmos compreender esta situação pela esfera educacional fica ainda mais complicado: “os dados do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), em 2012, [apontam que] havia uma população de 548.003 prisioneiros, encarcerados em 1.478 estabelecimentos penais no Brasil. Dessa população, 29.592 foram considerados analfabetos, 68.501 eram alfabetizados funcionais (o indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos) e 248.245 não concluíram o ensino fundamental. ”

Outro fato interessante é que a nossa população carcerária tem crescido bastante, mas não vemos os crimes diminuírem. Em 2012 como dito acima o número de presos era 548.003, já em junho de 2014 segundo dados do Ministério da Justiça a população carcerária contava com 711.463 presos, incluído as 147.937 pessoas em prisão domiciliar. Podemos acrescentar ainda a taxa de reincidência de nosso sistema prisional que em alguns estabelecimentos chega a mais de 70%.
É importante ressaltar o equívoco ou cinismo de que não existe punição para os menores. No Brasil o IRC (Idade de Responsabilidade Criminal) é de 12 anos. A partir desta idade o brasileiro já é passível de punição, embasado por critérios pedagógicos, sociais, psicológicos e psiquiátricos por seus atos, que vai de advertência, reparo do dano até chegar na pena de internação de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente.  

Mas, podemos nos questionar:  O encarceramento no sistema prisional comum é solução?
Os dados acima e o crescimento do número de preso e a taxa de reincidência vão não contramão.

Outros também dirão que diferente do século passado, crianças e adolescentes tem muito mais informações. “A internet está aí!”- esbravejam.
Não há como duvidar, nada mais verdadeiro que isto!
Entretanto uma coisa tem que ser ressaltada: informação não é conhecimento e muito menos é sabedoria, ou seja, capacidade de discernimento entre o positivo e negativo, certo e errado, conservador e progressista! São conceitos/abstrações que confluem, mas completamente diversos, e que por isso derrubam este argumento. 
Para ser mais didático basta citar as manifestações do dia 15/03/2015 (deixo claro que nada contra as manifestações), nesta data uma grande parcela dos que que foram as ruas - formada inclusive por pessoas não jovens - criou um espetáculo de bizarrices, onde foi possível ver situações esquizofrênicas e mesmo patéticas, numa amplitude de pedidos de intervenção militar (coincidentemente ou não, a PEC 171 foi aprovada justamente quando se rememora 51 anos do golpe militar no Brasil), passando por pedidos de impeachment sem fundamentação, “fora Paulo Freire”, pedido de ajuda militar dos EUA até o descalabro de “feminicídio sim!” (inclusive na mão de uma mulher)... na verdade é de causar a chamada “vergonha alheia”. 

Todas estas pessoas, generalizando a situação como a fazem os defensores da PEC, tem acesso a internet e a “educação”, mas afirmam coisas de dar calafrios e arrepios até mesmo em intelectuais e políticos da direita (pelo menos aqueles que são democráticos). Fica claro que para muitas destas pessoas a informação não foi transformada em conhecimento e muito menos em sabedoria.

Será então que um adolescente periférico consegue fazer uso do oceano de informações da rede até chegar no discernimento como querem os defensores da PEC? - Levando-se em conta que ele será mediado por seu universo de privações; desigualdades; exclusões e opressões; nossa precária e claudicante educação e ainda a mídia superficial, vazia e tendenciosa - É COMPLICADO!

Mas o problema é a maioridade penal! – Continuam a gritar.

Não adianta atacar os galhos, é na raiz que está o problema. A adolescência é uma fase de desenvolvimento, socialização e amadurecimento. É nesta perspectiva que o ataque tem que ser radical, feito na construção de uma sociedade mais justa, igualitária, menos racista e opressora, que proporcione uma educação emancipadora, inclusiva, integradora, democrática e socialmente referenciada que tenha como norte a coletividade e não o espelho de casa, ou apenas as fotos do facebook e/ou do instagram. Como disse o mestre Paulo Freire:

“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

Update:20/07/15


*Marcio Coelho é Graduando em Ciências Sociais - UESC-BA, está Coordenador Geral do Centro Acadêmico de Ciências Sociais e é membro do Coletivo Só Podia Ser Preto.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CABULOSO!

"Carnaval, futebol
Não mata, não engorda
E não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol..."


Deve ter sido a estrofe acima a inspiração para a estarrecedora, mas não surpreendente, declaração nefasta (quase criminosa) do Governador da Bahia (Rui Costa) sobre a chacina de 13 jovens (06/02/2015), negros e pobres, no Cabula em Salvador, pela Polícia Militar baiana. Abaixo a transcrição do trecho e o link do vídeo completo:

A polícia (…) tem que definir a cada momento (…), ter a frieza e a calma necessária para tomar a decisão certa. É como um artilheiro em frente ao gol que tenta decidir, em alguns segundos, como é que ele vai botar a bola dentro do gol, pra fazer o gol (…)”

Estarrecedora por se tratar da morte de 13 seres humanos que tiveram o fim de suas vidas comparadas a “Gols”. O herói, para o governador, é o artilheiro/policial que “derruba”, numa lógica maniqueísta , “O mal”, que neste caso é materializado no preto e pobre, devendo assim ser exterminado. Não surpreendente, pelo tratamento já tradicional dado pelo Estado brasileiro (governos estaduais e prefeituras)  a população negra e periférica.

Dentro de nossa estrutura racista e cada vez mais segregacionista destaca-se com certeza a capital de nosso Estado. Salvador que é contabilizada como a cidade, fora do continente africano, com maior incidência de negros nunca deixou de viver um apartheid social/racial. Neste aspecto é necessário deixar claro que o preconceito no Brasil primeiramente é na base da cor da pele e agravado pela situação econômica-social.

É esta a situação e contexto racista, onde 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros. Deve-se ressaltar, ainda, que grande parte das mortes é promovida pela polícia, que tem refúgio, abrigo e impunidade nos falaciosos “autos de resistência”.  É ainda mais assustador (pelo menos para alguns) os dados que apontam: "que a cada 25 minutos morre um jovem negro pobre no Brasil, vítima da violência. São aproximadamente dois jovens negros mortos por hora, 48 mortos por dia, 335 mortos por semana, 1344 mortos por mês. Esse é um número igual ou maior do que muitas guerras pelo mundo.” (continue lendo >>)


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Educação e cidadania

EDUCAÇÃO, DIREITOS E CIDADANIA – PARTE 1


Mais um ano do século XXI e a educação continua, assim como no século passado, como uma das promessas mais consolidadas para a “evolução” do ser humano e para tão sonhada mobilidade social. Nestes casos, seja numa ótica realista ou otimista vale lembrar o mestre Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.”
A premissa, tendo esta como verdadeira, de educação como lastro para um projeto de uma sociedade melhor, mais justa e igualitária passa por uma ressignificação da cultura escolar e da ação educativa, no entendimento de uma escola democrática, que alie os direitos humanos as diferentes dimensões programáticas do currículo escolar. No entanto, em primeiro lugar é necessário compreender que diferente do que é anunciado a escola não serve para nivelar as desigualdades e menos ainda gerar oportunidades similares para os indivíduos, aliás,  muito pelo contrário. A escola, pública principalmente, reproduz com notória eficiência as discrepâncias, preconceitos, exclusões/opressões, entraves estruturais e contradições da sociedade. Demonstrando inclusive as limitações do Estado como impulsionador do desenvolvimento social, ou ainda indicando sua função como agente limitante.
Se de um lado temos os mecanismos democráticos fundados no dito Estado Democrático de Direito Brasileiro, por outro o cerceamento subliminar e mesmo liminar para utilização destes instrumentos começa pela prática escolar, que em sua esmagadora maioria está totalmente dissonante da realidade social ou mesmo desligada desta.

domingo, 16 de novembro de 2014

Machismo

A rapariga, o cavaleiro e a Santa Cruz.


"Era uma tarde fagueira, como outra qualquer no reino de Santa Cruz, o calor desconfortável se explicava pelas nuvens plúmbicas que majoravam a umidade como de costume. Ainda assim, a temática da palestra era importante, vamos tê-la.
Infelizmente, para a surpresa de todos, a cena principal não se fez com os ministrantes, mas o episódio senhoras e senhores, é verdade, tenho o desprazer de narrar:
Senhorita negra, trajada com turbante, foi rispidamente segurada pelo braço, por um senhor que se disse professor. Logo depois recebe a afirmativa que:
- És “linda”...
Ainda estupefata pelo gesto arrogante e agressivo, recebe outra intenta:
-Está aqui meu cartão.
A mãe da rapariga, que está no mesmo recinto, adverte o “potentado”:
- Estou aqui! - Ele não titubeia.
- Tome também o meu cartão.
O CAVALEIRO “galanteador” se regozija e prossegue sua jornada, entendendo como é costumeiro da sociedade que a mulher é para ser ‘cuidada’, e a mulher negra, ainda mais, precisa de um bem-feitor que lhe dê amor. "
- Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...ou não!-
***
O que significa este gesto?
Este episódio aconteceu no século XXI?
Quem é esse que não respeita uma mãe?
Que século estamos? Quem são estes CAVALEIROS? - que ignoram a mulher como cidadã e dona de si.
E esse cartão? O que ele quis dizer?
Talvez seria normal se não houvesse uma estrutura de poder coercitiva patriarcal e machista. E como não é o caso, como fica o poder institucionalizado professor/aluna?
...é o cabelo, é o turbante? A altives e identidade?
O quê são ou QUEM as mulheres? São produtos que devemos pegar pelo braço e etiquetar com um cartão? São um produto?
Já é hora de valorizar a nossas mães, irmãs, namoradas, amigas, amantes... todas as MULHERES de nossa vida!

domingo, 2 de novembro de 2014

Racismo

A ignorância ou preguiça conveniente 


O pensamento indigente e alienado sobre o racismo no Brasil, não é apenas falta de conhecimento, é uma zona de conforto onde a maioria dos que dizem não ter preconceito residem e não querem sair ou ultrapassar. É a ignorância ou preguiça conveniente de quem quer manter privilégios. É fácil notar, pois mesmo com todos os dados escancarados que demostram a desigualdade seja de oportunidades ou de equiparação social (status), econômica (salários) e política (participação), continuam a repetir o discurso dissimulado e cínico do mito da “democracia racial”.

domingo, 12 de outubro de 2014


Educação é privilégio!






         Um amigo me sugeriu uma análise dos dados da tabela acima.
      Digo que encaro sem surpresa e sem espanto. Se formos olhar o retrospecto histórico da educação no Brasil veremos que ela é um privilégio, e como tal, na medida direta em que vai se especializando maior é a dificuldade para a progressão das classes menos favorecidas. Neste sentido, é notório a ojeriza também direta em relação ao PT (e a esquerda em geral) na proporção da situação financeira dos indivíduos – historicamente que ganha mais vota na direita.
        A diferença se acentua, sem surpresa, no ensino superior. É talvez aí o ponto de pressão mais perceptível da pesquisa (positiva ou negativamente, para que vai endossa-la ou refuta-la).
       A universidade é um privilégio, pública então muito mais. Mesmo com a expansão promovida pelos governos do Partido dos Trabalhadores, tanto na rede pública quanto na privada (criação de universidades e FIES por exemplo) notoriamente o panorama das universidades é elitista. O ensino superior no Brasil surge como solução para falta de médicos e não por isso exatamente, surge quando da vinda da Coroa Portuguesa em 1808, ou seja, para atender uma demanda específica de uma determinada classe.
        Em todo o século XX esta situação não mudou de quadro, muito pelo contrário, apenas fortaleceu os mecanismos de dominação de uma pequena parcela da sociedade sobre a grande maioria.            Hoje ainda não é diferente, apesar de termos uma reconfiguração em curso, seja pela expansão e/ou pela política de cotas (sejam raciais ou sociais) no ensino superior. No entanto os resultados ainda estão por vir e é nítido que os privilegiados não querem perder seu quinhão.
         Não tenho dados de pesquisa de outras eleições sobre este tema, mas arrisco dizer que o número de votantes no PT, que tem ensino superior, deve ter aumentado. E ainda, no sentido que discorri acima, esta pesquisa para ser realmente informativa e elucidativa deveria estar cruzando dados com a perspectiva de renda dos indivíduos. Mas esperar isso do G1 já é demais...rs
       Sobre a pesquisa, não sei qual metodologia foi usada, mas ela traz de forma alegórica e tendenciosa (como é de feitio global) uma “média”, para demonstrar a superioridade numérica do candidato tucano. É público e notório que o número de pessoas que não cursam o ensino superior no Brasil é infinitamente maior do que os que estão na graduação. Desta forma há uma inflação da realidade favoravelmente ao ex-governador mineiro.

sábado, 4 de outubro de 2014

Política e eleição

Melhor Que Números

         
         É triste ver alguns colegas, até mesmo da época da escola que vivemos com dificuldades, com ideias reacionárias, mesquinhas e pequenas em relação à política do país. Principalmente, e não apenas, pelo ciclo virtuoso de crescimento e desenvolvimento do país que presenciaram e se beneficiaram, mas, e muito mais pela falta de informação; preguiça de se informar corretamente; pela credulidade ingênua de informações tendenciosas; ou ainda pela má fé em seus posicionamentos. A discordância deve ser respeitada e é essencial em uma sociedade democrática, mas a negação pela negação é preocupante, assim como a desinformação e divulgação irresponsável de factoides.
       Acho que um exercício interessante seria parar, olhar para si e para o lado e ver a situação em que está e a que o país se encontra hoje. Depois se informar sobre o que é política de Estado e política de governo. Entender que muitas são as obrigações da administração pública (neste caso diretamente o poder executivo) guardadas pela nossa constituição e demais legislações infraconstitucionais. Entender sim, que nenhuma ação do Estado/governo deixa de ser uma obrigação, até por que o agente público só faz aquilo a lei lhe permite (política de Estado). No entanto, prioridades são elencadas de governo para governo; o gerenciamento de crises financeiras (nacional ou internacional) da mesma forma; endurecimento no combate a corrupção também. Assim as obrigações, postas em nossa Constituição, que não são expressamente regulamentadas, são norteadas pelas ideias e programas do partido que está no PODER.

sábado, 27 de setembro de 2014

Eleição

 Exercício paradoxal 



             A crítica pela crítica se não tiver o teor de questionamento filosófico em sua essência sempre fica aquém da realidade. Sempre digo, e ultimamente tenho repetido exaustivamente que o PT merece críticas extremas.
Mas esquecer quem são os principais norteadores da atual "crítica" aos governos do partido dos trabalhadores é um ato de indigência política e para alguns um exercício paradoxal dos mais complexos.
Achar que a mídia: protege o partido de Lula; dissimula sem intenção os discursos da mandatária/candidata do país; que falsifica pesquisas para beneficiar sua reeleição; que não tem um(a) candidato preferido; não prefere o sistema neoliberal “puro sangue”; que é contra ascensão da classe pobre, de maioria negra; não entende que a elite brasileira quer viver na Europa. É um tanto ingênuo ou maldoso.
Alguns eleitores e comentadores de última hora confundem tudo, desde manipulação midiática até a teoria reversa da conspiração. Muita calma nessa hora! Não podemos esquecer a história política do país e as artimanhas já usadas por estes mesmo atores do setor de comunicação. 
Não perceber os contrassensos de alguns candidatos é ignorância sobre a política econômica e a história recente do país. Estamos falando do futuro da população. Sejamos responsáveis, não se trata apenas de brigas de "pequenos burgueses" pelo facebook.

domingo, 31 de agosto de 2014

Eleição

O voto útil, estamos no Big brother?
Fonte:https://www.facebook.com/vitortegom/photos/a.232922050183626.1073741828.232492200226611/438676949608134/?type=1&theater

A analogia se justifica não pela trajetória histórica do reality show e/ou campanhas políticas, mas pelo apelo anti-petista e personalista esvaziado do componente crítico, influenciado por uma boa parcela da mídia nativa.
Não penso, não digo que o PT não mereça críticas, muito pelo contrário. Mas comparar a perspectiva de mudanças da trajetória da vitória de 2002, mesmo com as mudanças programáticas que o PT já apontava na época, com a eleição de agora é um pouco sem sentido e anacrônico. O posicionamento político é importante tanto para negar ou para afirmar algo. Mas, não sei até onde tenha utilidade a falta de reconhecimento da realidade social que o país atravessa hoje: temos avanços e estes são frutos de posicionamentos políticos, desde as políticas de redistribuição de renda até um arrefecimento na ordem neoliberal.
Concordo ampla e plenamente que a alienação é dos principais componentes da política, não apenas aqui no Brasil, mas em qualquer país do mundo. De outra forma, por mais que haja a percepção que a “vida” melhorou, existe um ideário onde imperam apenas críticas e que todas as mazelas que existem no Brasil foram iniciadas em 2002.

Conscientização é necessária, ou pelo menos o mínimo de cuidado nas escolhas. Partir como manada em uma direção a esmo é de todas as formas complicado (por vezes acontece mesmo com os militantes “iluminados” ditos de “esquerda"). Acredito que precisamos de transformações urgentes, no entanto, neste caso, diferente de 2002, existe um sentimento retrógrado e revanchista que está encravado neste discurso de “mudança”. Este discurso na verdade esconde e dissimula uma política "neoliberal puro sangue" que tantos prejuízos trouxe para o Brasil nos anos 90 e hoje assola a Europa.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos Crespos e a mídia brasileira – parte 2.

A lógica midiática, oportunista e dissimuladamente racista em sua estrutura, tem como resultado por um lado o sujeito negro emulando a estética apresentada na televisão (cabelos, vestimentas, gírias e etc.). Mas por outro, não apresenta negros (com estes atributos estéticos) em posições de destaque seja em sua programação geral e/ou nas tramas dramatúrgicas – com exceção de ser como o vilão/assaltante/favelado e como a empregada/domestica que é “quase da família”.
São décadas de denúncias a respeito dos insistentes, constantes e repetidos personagens com posições subalternas e/ou marginais nas tramas das novelas. Ainda assim, pouquíssimas são as mudanças neste cenário.
    A referenciação quanto a “bons exemplos” poderia – mesmo que superficialmente, já que funciona em termos estéticos – abrir concorrência ao mundo do crime, bem como alargar os horizontes para a educação. Nesta perspectiva, para os jovens, ver negros como protagonistas com profissões alçadas pela escola/educação (professores, advogados, médicos, engenheiros e etc.) e não apenas jogadores de futebol ou modelos – nada essencialmente contra estes profissionais – seria importante tanto para resistir ao assédio do crime, como ao desinteresse pelos estudos. 
Esta sempre foi uma demanda importante e agora, com esta geração cada vez mais imagética, se torna ainda mais primordial. Alguns podem dizer que tal demanda não representaria a realidade social, argumento totalmente impróprio. Existem negros em posição de destaque em nossa sociedade, infelizmente graças a nossa estrutura, em menor proporção e com salários mais baixos que os brancos, mas existem. E só não existem mais, pelo nosso racismo estrutural. Em contrapartida, desde quando as peças novelescas globais estão atreladas a realidade? Encontrar verossimilhança nas novelas é um trabalho de garimpo, nos dias atuais, em serra pelada.
Vivenciamos a tergiversação dessa e de outras demandas há muito elencadas pelo movimento negro em relação a mídia, principalmente a televisiva. Ao mesmo tempo, consoante com isso, o que acontece é o fortalecimento cada vez maior dos estereótipos raciais a exemplo do recém lançado programa "sexo e as nega".(Continue lendo...)

domingo, 10 de agosto de 2014

Movimento Negro

Movimento Negro, Cabelos crespos e a mídia brasileira - Parte I.


Foi e é árdua a luta dos movimentos negros pelos direitos de cidadania e identidade, colocando-se nessa última o pacote de suas orientações religiosas/religiosidade até a aceitação da estética negra como sinônimo, também, de beleza.
Caso interessante perpassa atualmente pela estética negra. Nos últimos anos a afirmação dos cabelos crespos, encaracolados ou black powers vem crescendo vertiginosamente, em proporção direta ao número de artistas que agora ostenta a cabeleira “natural”. É preciso ressaltar que esta é uma luta de anos do movimento negro, mas que só foi abarcada pela população graças a mídia televisiva.
Dos poderes imperativos que conformam a mídia brasileira (principalmente o canal do "plim plim") alguns perderam força, outros no entanto se robusteceram ainda mais pela ótica multiculturalista, a dizer principalmente no que tange as tendências da moda. 
Para muitos a influência da mídia na vida das pessoas é quase inócua e que as superfinanciadas novelas nada tem a ver com a população e suas predileções seja politicas, identitárias e etc. Sem querer entrar no maniqueísmo de sua função social, vemos e sentimos no dia-a-dia as reverberações das novelas que atualmente ocupam praticamente a grade de programação inteira da emissora com maior audiência do país.
A assunção dos cabelos crespos principalmente no caso das mulheres, parcela que mais diretamente é pressionada pela padronização caucasiana do corpo, é um ato de empoderamento que em todos os casos deve ser celebrado.

Entretanto, além obviamente de ser um fenômeno interessante, principalmente, para os negros, também demonstra a força tanto de assimilação quanto de manipulação da mídia “tradicional” em relação as demandas da sociedade. É notório que este fenômeno se popularizou a partir do surgimento na televisão de sujeitos empoderados ou não com os “cabelos assumidos”.
Explico mais uma vez que não é uma orientação que surgiu do nada, como disse acima, o Movimento Negro (e também de mulheres) lutou e luta pela aceitação de sua "liberdade estética" pela sociedade. Neste caso o que é temerário é cooptação da demanda histórica, que na verdade sempre teve um caráter no mínimo triplo, seja o propriamente estético, mas também, e da mesma forma importante, cultural e político. 
No viés que se manifesta os “cachos”, em grande parte dos casos, privilegia-se apenas o lado estético, que é de todas as formas importante, mas não suficiente. É necessário o fortalecimento multidimensional da identidade negra numa ótica de reconhecimento do sujeito negro e a contestação da concretude de subordinação que ainda se mantém, e em outros aspecto, como pensa Frantz Fanon, da liberdade de escolha e opções estéticas/politicas enquanto ser humano.  

Num país onde impera um racismo estrutural e tácito, é importante o posicionamento estético dos negros, mas também é necessária a politização e conscientização do cenário racista em que estamos inseridos. Não podemos nos afundar ainda mais nas garras dos simulacros de identidade que transfiguram uma demanda legítima em apenas mais um item de consumo. O vínculo com a realidade deve ser peça viva em detrimento do que Baudrillard vai chamar de hiper-realidade (simulacros de simulacros onde a ação não mais tem a ver com o sujeito ou objeto em si, é apenas encenação vazia). Um perigo concreto que vivemos, ainda mais com a cooptação de pautas de movimentos sociais, sejam clássicos ou novos. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Racismo


NÃO somos macacos!



É triste constatar a falta de reflexão das pessoas. Seguem em manada atrás de mantras eletrônicos sem perceber a verdadeira dissimulação das palavras que se tornam cicerones de suas ações. 


Mais lamentável ainda é a indignação afetada de indivíduos que fazem parte de um sistema de telecomunicações, racista em toda a sua estrutura e programação, manifestarem sua opinião seletiva. Esta mesma indignação devia ser exasperada quando foram impetradas as ações contra as COTAS, ou para fortalecer luta contra o Genocídio da Juventude Negra. Mas não, por aqui, para estes indivíduos reina a “Democracia Racial”. 

Foi interessante ver a atitude e "presença de espirito" do Daniel Alves. 

Entretanto, triste ver símbolos tão combatidos pelo movimento negro durante todo o século XX, serem revividos de forma tão caquética, numa logica de protesto rarefeito em seu verdadeiro caráter de denúncia e luta por igualdade.

Deprimente, ainda, é a probabilidade de termos intelectuais que defenderão a infame campanha.

Reflexão é essencial para uma opinião crítica, e não apenas uma câmera não mão e uma Hashtag.

"Não existe neutralidade possível: o intelectual deve optar entre o compromisso com os exploradores ou com os explorados”.(Florestan Fernandes)

domingo, 30 de março de 2014

Movimento estudantil



A “POVOTORIA”

Márcio Coelho*
             O movimento não saiu da torre, entrou para sua história.

O Estado Democrático de Direito tem entre suas premissas básicas a cidadania transpassada pela livre atuação política. Neste contexto, diferente de tempos atrás, política e cidadania se insere e se discute sim.
 A consolidação da Democracia, e, por conseguinte dos direitos civis, políticos e sociais para todos(as), ou seja a cidadania, é cada vez mais é posta em cheque. Exemplo disso é a necessidade urgente de reconfiguração das Universidades Públicas, para que possam, entre outras demandas, catalisar os avanços promovidos pelas políticas de reserva de vagas no ensino superior.
A atual lógica de inserção/inclusão dos pobres, índios e negros  nas universidades trás consigo uma nova complexidade cultural e social, que só pode ser absorvida, entendida e atendida pelas instituições através de reformulações estruturais, análises socioeconômicas e políticas sociais efetivas.
É nesta perspectiva que uma política de ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL – que surge de uma das dimensões da cidadania, dos direitos sociais para ser mais exato – se torna tão importante para a eficácia e eficiência das medidas de inclusão dos grupos que em outros tempos não faziam parte do reino da intelectualidade.
A permanência dos “hipossuficientes financeiramente”, nomenclatura rica e sofisticada para apontar os pobres, só pode ser concretizada através de uma série de ações complementares e intersetoriais - que acontecem precariamente ou não acontecem na Universidade Estadual de Santa Cruz. É neste viés que o exercício da cidadania e a mobilização política são necessários, para que haja a devida pressão e assim se expresse claramente a urgência de ações que garantam o direito à Educação.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Burguesia

O cheiro da burguesia



A burguesia, já disse o poeta burguês, fede. 

E nos dias atuais exala, expandi e pulveriza seu odor rancoroso de segregação, racista e fascista. 

Ela é politicamente inapta, economicamente dependente e sem ideias, intelectualmente burra e colonizada. 

Está parcela atrasada, atravanca e aliena o Brasil e os brasileiros há anos. Não consegue enxergar um palmo a frente do nariz empinado - em vários casos graças as cirurgias.

Não aceita que o país seja formado por uma maioria de negros, e por isso se engana e tenta manipular a população baseando-se num Eurocentrismo retrogrado ou “norteamericocentrismo” falido.

De forma absurda, não aceita os aspectos culturais e étnicos da população brasileira - vide novelas, telejornais, series e etc.

Esta mesma elite – ela se acha liberal ou neoliberal - tem medo da concorrência, só não se sabe o porquê.

500 anos de privilégios não foram suficientes?

Na verdade a elite burguesa não apenas fede. Ela cheira, fuma, bebe, come e faz merda.

A diferença é que as outras classes não podem fazer as mesmas coisas/atitudes.


Aí é coisa de marginal e de pobre - gritam e querem justiça!

Os “playboys” e “patricinhas” que também financiam o crime estão soltos.

Mas caso sejam presos, seus pais lá estarão munidos com os advogados, dinheiro da fiança e/ou mesmo suborno - ainda que este seja simbólico pela pressão da posição social.

A burguesia, já disse o poeta, fede. E nos dias atuais exala, expandi e pulveriza seu odor rancoroso de segregação, racista e fascista.

Dialética, e sim, dialogismo sempre!

sábado, 8 de junho de 2013

Política

ISSO É POLÍTICA?

“O maior castigo para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam". Arnold Toynbee (1889-1975)

              Em tempos de consolidação da Democracia, e por conseguinte, Direitos civis, políticos e sociais (liberdade de expressão, lutas por igualdade, seja social, racial e de gênero)  o termo política é cada vez mais usado - desempenhado destaque em qualquer discussão. O Estado Democrático de Direito tem como premissa básica a cidadania transpassada pela livre atuação política. Neste contexto, diferente de tempos atrás, política se insere e se discute sim, talvez, não da forma "ideal", mas se discute.
             A política abrange-se por todos os campos da humanidade em que é necessária a relação, discussão e organização entre pessoas, bens e direitos - tanto na dimensão cultural quanto social-  que interligados precisam de delimitação e ordem, numa tessitura de conflito, dissenso e/ou consenso dos seus membros, através da persuasão e/ou dissuasão para o alcance de determinados fins. Estas imbricações, de relações sociais, se fazem através da interdependência e sistematização, institucionalizada ou não, nas formas mais diversas de organizações sociais ao longo da história. 
           Qualquer sociedade é inerentemente política, ou ainda, qualquer relação humana é política, o que muda é “modus operandi”, ou seja, são as maneiras que esta política é implementada e/ou usada.
         As diversas culturas que habitam (ou já habitaram) nosso planeta utilizam mecanismos políticos para entender e atender os diversos anseios, demandas e conflitos de seus partícipes. Bobbio (2000) irá ressaltar que:os fins da política são tantos quantas forem as metas a que um grupo organizado se propõe, segundo os tempos e as circunstâncias”. Este mesmo autor estabelecerá uma relação direta entre poder e política, derivando-os em poder econômico, poder ideológico, poder político entre outros, mas ressalta que apenas o político “funda-se sobre a posse dos instrumentos através dos quais se exerce a força física (armas de todo tipo e grau): é o poder coativo no sentido mais estrito da palavra”.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Politica e religião


Direitos humanos, o Estado Laico e a CDHM.





     Diferente da relação histórica entre política e religião, a Declaração Universal dos Direitos Humanos(DUDH) tem uma vida curta. A declaração destes direitos contam com pouco mais de 60 anos - sua ratificação foi assinada em 10 de dezembro de 1948 -, e talvez por isso a garantia do seu cumprimento seja especificamente difícil. O Brasil, por exemplo, deixa de cumprir estes direitos em diversas dimensões, os esforços muitas vezes limitados e pouco articulados, acabam por não serem eficazes para suprir as demandas da multifacetada sociedade em que vivemos. Atualmente esta ineficiência conta com mais um ingrediente que não é novo, mas de todas as formas problemático, e que vem obstando as discussões a respeito do tema em tela, a religião.
O desenvolvimento, articulação e embate das relações entre política (Estado) e religião contam de longa data. Na democracia estas forças tendem a desenvolver-se, pelo menos ideal e teoricamente, em dicotomia . No entanto a consolidação de um Estado laico sempre sofre ataques das intricações e imbricações entre política e religião. Assim, os desdobramentos desta desarmoniosa relação, despencam sobre as diversas temáticas da cidadania e dos Direitos Humanos. 
É neste contexto de não separação, e até mesmo das relações partidárias e seus fisiologismo, de busca por aliados muitas vezes a revelia da ética, que é eleito para presidência da Comissão de Direito Humanos e Minorias(CDHM) - da Câmara de Deputados do país – de acordo com todos os trâmites legais e democráticos, segundo este Poder, um “deputado pastor” ou “pastor deputado”, ligado a uma corrente religiosa protestante, defensor de um discurso fortemente reacionário e contrário a diversas conquistas e/ou demandas elencadas e almejadas pela norteadora Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Esta declaração é defendida e tem sua amplitude intensificada pela sociedade civil organizada, que na atualidade ser articula em diversas frentes (movimento negro, movimento feminista, LGBT, sem terra,  e etc.), seja para afirmação ou conquista de direitos negados, criando uma tessitura complexa de relações entre os diversos entes que compõe a sociedade. Estes movimentos sociais atuais – de minorias ou não -  buscam desde a diminuição das desigualdades e exclusão social, até o reconhecimento de status e/ou identidade, chegando por fim ao exercício de poder da tão sonhada cidadania. Por outro lado, os movimentos ligados a religiões cristãs, nestes casos mais especificamente, ligados ao protestantismo, que nas ultimas décadas teve um vertiginoso crescimento no Brasil, acirram a disputa por espaço  e tentam, da mesma forma que os movimentos citados acima, influenciar na agenda e nas pautas politicas do Estado. >>>>

sábado, 28 de julho de 2012

Consumismo


“Mãe, eu quero. Você compra?”

Por Rosely Arantes, no Observatório da Imprensa


A frase do título, que muitas vezes culmina em uma discussão, tem feito parte do dia a dia da maioria das famílias brasileiras nos últimos tempos. Discutir os limites das crianças frente ao que é apresentado nas televisões, via publicidade, é algo que muitas vezes está além do alcance das mães, pais e até educadores. Não raro vemos matérias, baseadas em pesquisas ou estudos psicológicos, que desvendam os caminhos para a atuação, para não dizer manipulação e controle, sobre o público infantil numa tentativa de reforçar o apelo de compra.
Contrariando um caminho trilhado, há anos, por diversos países com democracias consolidadas, como a Suécia, Alemanha, Austrália, Espanha (Catalunha), Chile, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Portugal e Reino Unido, o Brasil continua permitindo que a publicidade seja direcionada ao público infantil. Mesmo que a criança e o adolescente sejam considerados públicos prioritários pela Constituição brasileira e reforçado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), eles continuam sendo alvo das propagandas e do merchandising, instrumentos da publicidade,que os utilizamcomo mecanismo de “fidelização” de um futuro consumidor e, ultimamente, definidor de compras da família, numa estratégia de infantilizar o adulto e dar uma ideia de maturidade às crianças, numa troca de responsabilidades vil.
O que é mais estranho é que todas essas ações, que são consideradas violações de direitos, dão-se no espaço público do audiovisual, ou seja, nas rádios e televisões, que são concessões públicas. Para ser mais clara, é de propriedade do Estado o espectro eletromagnético que é temporariamente cedido a determinadas empresas de comunicação. E como parte das regras desta concessão está a atenção ao que já é estabelecida em lei, como informado no parágrafo acima. Como afirma o mestre em Ciência Política, pela Universidade de São Paulo, professor Guilherme Canela, “se o Estado (governo e sociedade) acorda institucionalmente que esse recorte etário merece prioridade absoluta, à mídia não é conferido nenhum salvo-conduto para se escusar de cumprir suas responsabilidades, especialmente porque radiodifusores são operadores de concessões públicas do Estado e da sociedade”.